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sexta-feira, 1 de maio de 2009

O filme de minha vida

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Estou participando de mais uma iniciativa da Vanessa. Clicar no banner acima te envia para o post dela e a lista dos blogs participantes.

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Escolher o filme da minha vida é tão impossível quanto escolher o livro da minha vida.

Mas desta vez não vou me furtar à tarefa.

Para facilitar um pouco vou pensar junto com o leitor.

Antes de escolher o filme, vou escolher o diretor:

























































Se você não conseguiu ligar as imagens aos nomes das feras, clique nas fotos e vá para verbetes deles na wikipedia. São alguns dos mais importantes cineastas vivos, que escolhi indicar aqui pela quantidade de filmes significativos para mim que cada um fez.

Mas tenho que escolher um.

"Minha mãe mandou eu escolher este..."

Win Wenders.

O diretor de:
Asas do desejo
Paris, Texas
Sob o céu de Lisboa
Buena Vista Social Club

O quê? Você ainda não viu nenhum desses filmes? O que está esperando? Corra a uma locadora decente (não sei se você vai encontrar esses filmes em qualquer esquina).


Mas tenho que escolher um.


Escolho o que é talvez o mais belo filme jamais feito sobre relações familiares. Problemáticas como costumam ser. Um filme poético como precisa ser. Cuidado que você vai chorar...




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quinta-feira, 2 de abril de 2009

O mesmo amor a mesma chuva - e o caso da imprensa argentina

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Li um post do Idelber Avelar sobre o projeto de lei que muda a regulmantação da atividade da imprensa na Argentina e me lembrei de um filme que já assisti faz um tempo: O mesmo amor a mesma chuva.

O filme já tem uma bela resenha no antigo blog do Maurício Santoro. O diretor, Juan José Campanella, estudou cinema nos EUA, dirigiu séries de TV e acertou a mão no cinema principalmente com O filho da noiva (2001), com o mesmo Ricardo Darín no papel principal.

O mesmo amor a mesma chuva, de 1999, não é, no meu entender, tão bom quanto O filho da noiva, que vi no cinema e que fez merecido sucesso (se você ainda não viu não perca tempo). Mas é um filme muito interessante e bem feito, que valeu muito a pena de ser assistido.

As relações humanas são muito bem exploradas no filme (acho que isso é a qualidade que mais me atrai em qualquer filme, talvez junto com a qualidade estética de fotografia, direção, trilha sonora, roteiro, etc.). Não apenas a paixão improvável dos personagens principais, mas, especialmente, as relações de trabalho dentro de um órgão de imprensa argentino - fictício, que fique bem claro.

Mas realístico. É na Argentina, mas podia ser no Brasil ou em qualquer outro lugar. Muito instrutivo para quem quer saber com quantos paus se faz uma notícia ou uma crítica de arte em jornais e revistas.

E é por isso que a leitura do post do Idelber me remeteu ao filme...



P.S. Não achei um trailler do filme, mas tem muitos trechos dele no youtube, para quem tiver curiosidade.

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domingo, 18 de maio de 2008

Uma passagem para a vida



Um filme de Patrice Leconte, com uma cativante trilha sonora de Pascal Estèves, e excelente atuação de Jean Rochefort e de Johnny Hallyday (para mim um total desconhecido, mas é um astro do rock francês).


Filmado em 2002, não foi exibido nos cinemas brasileiros. Que bom que existe em DVD, por que é um filme que merece ser assistido.


Um assaltante de banco e um professor aposentado de uma cidadezinha do interior da França se encontram por acaso e tornam-se inusitados amigos. Confrontados pela vida um do outro, cada um descobre o quanto sua vida é monótona e o quanto poderia ser interessante se fosse diferente.


É por causa de filmes como esse que o cinema vale a pena. Porque torna-se uma oportunidade de refletir sobre a vida, sobre o ser humano - as dores e delícias que cada um tem de ser o que é. Se isso pode ser feito com boas doses de humor, grande poesia visual e trilha sonora cativante, melhor ainda.


terça-feira, 15 de abril de 2008

Zuzu Angel

Uma jovem mãe, separada do marido, com três filhos pequenos para criar. Costura para sustentar a família, mas aos poucos torna-se uma grande estilista de sucesso internacional.

Enquanto isso, durante os “anos de chumbo” do regime militar, seu filho Stuart entra no movimento estudantil e, em seguida, na luta armada e na clandestinidade. Participa do grupo de Carlos Lamarca (o filme não menciona a sigla, mas que eu me lembre é VPR – Vanguarda Popular Revolucionária), termina preso, torturado, morto e tem o corpo jogado ao mar.

Em torno desta tragédia pessoal (e de toda um geração), se passa a narrativa do filme. A luta política de uma mãe para encontrar o filho, garantir sua integridade. Depois de receber a notícia de sua morte, a luta para ter o direito de sepultá-lo e para ver condenados os assassinos de Estado.

O tema é tão melindroso, e ao mesmo tempo rico, que permite ótimos trabalhos artísticos. Lembro de outros que já ficaram clássicos sobre a luta armada no cinema brasileiro: O que é isso companheiro e Lamarca, o capitão da guerrilha. Zuzu Angel está à altura de ambos. É grande cinema, como já estamos ficando acostumados a ver sendo feito no Brasil da última década. É um filme digno da memória de uma mulher de fibra, e digno da luta de uma geração por justiça social e democracia.

O drama de Zuzu é embalado pela belíssima trilha sonora de Cristóvão Bastos, um dos grandes músicos brasileiros, por muito tempo arranjador e líder da banda de Chico Buarque. Imagino que 80 por cento do clima psicológico criado pelo filme é de responsabilidade da trilha sonora.

Enfim, é cinema profissional. Cenários, figurinos, atores, fotografia, direção – tudo de alto nível. E aquela qualidade que só o cinema nacional proporciona: o reconhecer-se na tela, nas paisagens, nas falas dos personagens, nas histórias vividas e narradas.

Mas como o filme trata de um tema histórico de absoluta relevância, não posso deixar de fazer uma leitura da história do Brasil a partir dos eventos que o filme traz. Me parece que há uma clara dicotomia neste filme, e em todos que tratam da luta armada contra o regime militar. Como não existe cineasta disposto a elogiar os milicos, a história será sempre uma glorificação dos jovens quixotescos que tentaram lutar por justiça social, fazer a revolução brasileira.

Mas nesta história não há tanta clareza sobre quem são os mocinhos e quem são os bandidos. Acredito que o cinema brasileiro vai dar mostras de amadurecimento quando puder tratar este tema sem glamourizar a guerrilha e demonizar a “ditadura”. Coloco o termo entre aspas porque sociologicamente incorreto. Não houve ditadura. Houve governantes militares, com congresso funcionando, eleições (não sei se eram menos livres que as que temos hoje), judiciário (era tão conservador como continua sendo) e, obviamente, amplo apoio popular.

Por outro lado, a luta armada era uma dissidência minoritária da esquerda no país. Uma estratégia política burra que serviu para justificar o endurecimento do regime militar, suas arbitrariedades e torturas. Afinal, o “perigo vermelho” era uma ameaça real, intolerável para as classes dominantes do Brasil.

Não deixaria de ser um exercício útil pensar como seria o regime político caso os stalinistas do PCdoB (e de outros grupelhos dissidentes) tivessem tomado o poder do Estado. Para os que tentam vender a imagem de uma esquerda feita de jovens idealistas seria talvez o mundo da justiça e da solução dos problemas sociais do país. Os exemplos que embalavam os sonhos destes jovens (União Soviética, China e Cuba) talvez sejam um bom modelo para reflexão.

Pergunto: quando o cinema nacional vai aprender com Caetano Veloso e outros artistas da época, e colocar a juventude comunista no merecido lugar histórico? Afinal, idealizar este tipo de passado não traz grandes benefícios para nosso futuro.

sexta-feira, 28 de março de 2008

A trilogia do sul de Silvio Back

Acabo de assistir à defesa da tese de doutorado da colega Rosane Kaminski sobre três filmes do diretor Silvio Back.

O trabalho foi muito elogiado pelos professores da banca, e prometo colocar o link aqui assim que estiver disponível a tese em versão digital.

Ressalto que os professores comentaram que trata-se de um trabalho fundamental sobre um cineasta injustamente omitido no canon do cinema brasileiro. O trabalho da Rosane resgata um pouco dessa obra através de cuidadosa pesquisa histórica.

Os filmes tratados na tese são Lance maior (1968), Guerra dos pelados (1970) e Aleluia Gretchen (1976). Dialogam com o Cinema Novo, mas tentam oferecer uma visão sulista, em contraposição à temática nordestina (Glauber) ou carioca (Nelson Pereira dos Santos). Por isso chamar ao conjunto dos três filmes de "trilogia do sul".

Fico com a pulga atrás da orelha para ver os filmes e ler a tese.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Piaf

Quinta-feira fui à locadora escolher um filme para o feriado. Pela primeira vez na vida escolhi um que estava no cartaz de divulgação (normalmente nem alugo lançamento, pois é mais caro, e tem tanto filmão em catálogo).

Trata-se da biografia de um dos grandes nomes da música francesa, a cantora Edith Piaf. História de vida com todos os ingredientes para dar um bom filme: infância trágica, pais problemáticos, criada num bordel da Bretanha enquanto o pai estava na guerra. A mãe não tinha as faculdades mentais em ordem para criar a filha. Adolescência passada na boemia, cantando na rua para conseguir sustento.

Ali descoberta pelo dono de um café-concerto, depois “adotada” por um professor de canto e em passos rápidos para a fama. Carreira norte-americana. Bebida farta. Um reumatismo que a faz parecer octogenária aos 40 anos. A morte trágica aos 48, após passar mal no palco em vários shows.

Eu não tinha idéia de quem fosse esta grande personagem. O nome me dava a vaga noção de ser uma cantora francesa de renome. A história de vida a faz semelhante a tantas outras damas do jazz ou da música popular, como Billie Holiday, nascida no mesmo dia.

O filme é muito bem produzido. Cenários caprichados, bons atores. É claro, ótima música. A crítica talvez exagere um pouco nos elogios.

O que me chama a atenção, sobretudo, é a corda bamba em que se passa a vida de gente como Piaf. Tragédia pessoal aliada a um talento incomum. Um ser à margem do socialmente aceitável, mas ao mesmo tempo admirada e muito rica. O brilhantismo artístico na beira do precipício da loucura. Será que os mais talentosos são também os que têm mais dificuldade de se amoldar a certas convenções sociais?