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domingo, 31 de agosto de 2008

Balanço das olimpíadas

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Agora que as olimpíadas já passaram, já posso fazer minha avaliação. O quê? Você acha que estou atrasado? Pois este blog não é sobre as últimas novidades, mas um espaço de reflexão. E para isso é preciso amadurecer as idéias. Então vejamos:

Esta olimpíada consagrou um país que se preparou muito para ela. Foram bilhões investidos na construção de uma estrutura olímpica e na modernização urbanística da cidade de Pequim. Afinal, a China sabe que para ser respeitada na comunidade internacional não basta pujança econômica e poderio militar. É preciso um certo deslumbre cultural, e o desempenho esportivo nas olimpíadas teria forte impacto nesse aspecto. Sobre como a China investiu na estrutura e na equipe olímpica vitoriosa, está tudo lá no Balípodo.

O investimento incluiu um projeto iniciado em 2000 para desenvolver equipes mais competitivas em esportes nos quais os chineses tinham fraco desempenho, como atletismo e natação. O desempenho nestes esportes continuou fraco este ano (apenas um ouro na natação e nenhum no atletismo). as foi altamente compensado pelo desempenho arrasador na Ginástica Artística (9 ouros), no Levantamento de Peso (8 ouros) e nos Saltos Ornamentais (7 ouros), modalidades que somadas deram quase metade dos 51 ouros chineses.

Um resultado desse desempenho foi que a China superou os Estados Unidos no quadro de medalhas. Obviamente os norte-americanos não assimilaram bem este fato, como nos conta o Recanto das palavras. Os jornais norte-americanos mudaram o critério de classificação para número total de medalhas ao invés do número de ouros. Tudo para poder estampar o nome do país no topo como quase sempre. Desde os primeiros jogos em 1896 os EUA se acostumaram a ficar no topo do quadro de medalhas. Só perderam para os anfitriões em Paris - 1900, Londres - 1908 e Berlim - 1936. Entre 1956 e 1992 também tiverem que se revesar no topo com a União Soviética. Aliás, o blog do Luciano Rosa deu-se o trabalho de somar as medalhas das ex-repúblicas soviéticas. Nessa contagem os EUA teriam ficado com o terceiro lugar - mas isso já seria uma humilhação insuportável...

Isso tudo fez parte de um contexto geral de crescimento do desempenho olímpico dos países asiáticos. Além da China, destacaram-se Japão e Coréia do Sul. Mas muitos outros países tiveram crescimento significativo em relação a seu desempenho recente, como nos conta o correspondente Globo na China.

Se levarmos tudo isso em conta, até que não foi tão ruim o Brasil manter o desempenho no mesmo patamar das edições recentes dos jogos. Mas eu insisto em continuar dizendo que o Brasil tem tamanho para disputar posições no topo do quadro, com Grã-Bretanha, Alemanha, Japão, Coréia do Sul, Itália, França (quem não tem tamanho, mas mesmo assim está no topo é a Austrália, com um incrível 6º lugar e 14 ouros). Ao invés disso continuamos patinando lá atrás, disputando posições com países bem menores ou bem mais pobres, como Quênia, Bielorrússia, Etiópia, Noruega, Eslováquia, Nova Zelândia, Mongólia ou Coréia do Norte.

E qual o motivo do nosso desempenho medíocre? Eu já previa isso antes de os jogos começarem, porque não desenvolvemos políticas para generalizar a prática desportiva, especialmente nas escolas. O mesmo nos diz Victor Birner. E Juca Kfouri informa que, ainda mais grave, o desempenho é ridículo se levarmos em conta o montante investido na preparação da equipe olímpica nos últimos 4 anos: mais de um bilhão de reais (investimento direto e renúncia fiscal). Equivalente à quantia investida pela Grâ-Bretanha para ficar em 4º lugar com 19 ouros!

Então porque isso não dá mais resultado? Investimento burro, focado em esporte de alto rendimento, ao invés de investir com muito mais resultado no esporte de base. Quantas quadras e pistas de atletismo poderiam ser construídas nas escolas com esse dinheiro? Quantos treinadores de equipes escolares poderiam ser pagos? Além disso o dinheiro escoa pelo ralo do mau plenejamento, como a sucessão de trapalhadas que atrapalhou o basquete feminino, segundo Magic Paula. É também a Paula que nos lembra que os esportistas abandonam a escola para se dedicar à carreira - e o baixo nível educacional talvez explique os chorões medalhistas (ou não medalhistas).

E a Cristina do Contra Capa, de um país de desempenho ainda mais fraco que o nosso, ainda encontra beleza nos jogos olímpicos...

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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Orgulho de pai

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Tempos atrás minha filha de 4 anos viu este desenho:



E resolveu fazer esta versão própria, motivo de orgulho desse pai babão:



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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Três Porquinhos - versão Cristina Kirschner

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Este vídeo é parte de uma brincadeira, que consiste em recontar a história em versões diferentes, a gosto do freguês. A idéia está aqui, no El Ojo 2008. Agradeço ao Tuco pela dica.

Acho que o mais engraçado, ou melhor, o mais finamente irônico de todos (ou pelo menos dos que eu tive a pachorra de assistir) é este com a presidente da Argentina:

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Futebol

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Depois da 22ª rodada, o campeonato continua embolado. Ou melhor, mais ou menos embolado. São nitidamente quatro blocos de times na tabela.

O primeiro é o dos que disputam o título. Esse "grupo" tem só o Grêmio, isolado com 45 pontos.

Depois vem o grupo dos que disputam vagas na Libertadores. Palmeiras, Cruzeiro, Botafogo, São Paulo, Vitória, Flamengo e Coritiba. Classificados nesta ordem, do 2º ao 8º, têm entre 40 e 36 pontos.

O terceiro grupo é o dos que ficarão lutando pela vaga na Sul-americana. Internacional, Sport, Atlético-MG, Figueirense, Goiás e Vasco. Nesta ordem, do 9º ao 14º, têm entre 30 e 26 pontos.

E na rabeira, os que disputam uma baga na segundona 2009. Fluminense, Atlético-PR, Náutico, Portuguesa, Santos e Ipatinga. Do 15º ao 20º, todos entre 23 e 20 pontos.

Entre o Grêmio e o 2º pelotão, 5 pontos de distância. Entre Palmeiras (2º) e Coritiba (8º), 4 pontos. Entre o 2º e o 3º pelotões, 6 pontos. Entre Internacional (9º) e Vasco (14º), 4 pontos. Destes para o grupo dos degoláveis, 3 pontos. Entre Fluminense (15º) e Ipatinga (20º - lanterna), 3 pontos.

Para passar de um pelotão a outro precisa melhora significativa de rendimento, combinada com piora significativa dos demais times. A esta altura, poucas mudanças de técnico virão a tempo de surtir efeito. Contratações já não resolvem mais nada. As coisas devem ficar como estão, com a sorte tendo um peso considerável nas colocações dentro de cada pelotão.

O Coritiba vai deixando a vaga na Libertadores escorrer pelas mãos. Em confrontos diretos com times que disputam a mesma vaga, no 2º turno já perdeu fora para Palmeiras e empatou em casa com São Paulo. Pegará nas próximas 3 rodadas Cruzeiro e Vitória fora e Botafogo em casa. Precisa pelo menos vencer em casa e empatar fora. Senão adeus. Depois ainda enfrentará Flamengo e Grêmio fora de casa. Portanto, o segundo turno não está moleza...

Ontem o Coritiba foi tímido diante do tricolor paulista. Carlinhos Paraíba mal escalado como volante (é meia ofensivo, mas mudou de posição para acomodar Marlos e João Henrique). Substituições bisonhas (Hugo como 2º atacante ao invés de Ariel Nahuelpan). Defesa frágil. No fim das contas, pela pressão que tomou do São Paulo, o empate ainda foi vantagem.

E a torcida que lotou o estádio esperando uma categórica vingança, saiu decepcionada com o time e, principalmente, com o técnico. Da última vez que o São Paulo veio ao Couto Pereira, numa chuvosa 4ª feira à noite de 2005, o Coritiba foi humilhado perdendo de 4 a 1. Com destaque para a atuação de Cicinho, que logo depois seguiu para um clube espanhol. E foi por causa desse tipo de vexame em casa que o time caiu aquele ano...

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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Atualidades

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Desgraçado esse Idelber Avelar. Tudo que alguém quereria dizer de importante já está lá no blog dele.

Por exemplo, está dito lá que a Argentina joga mais futebol que o Brasil, e faz tempo. Obviedade que só não enxergamos por cegueira patriótica absurda. Aliás, quem ainda acredita em Galvão Bueno? Só se for muito trouxa. A rivalidade entre Brasil e Argentina é toda artificial, criada por encomenda. Não temos porque odiar nossos vizinhos. Sou daqueles que torce pelo Brasil (ultimamente está ficando difícil sustentar uma posição dessas), mas se for para perder para alguém que seja para os argentinos. Que eles merecem - jogam futebol bonito. Se fosse para termos raiva de alguém que fosse da Itália ou da França que já nos humilharam sem ter futebol para tanto.

Só não posso dizer que torço pelo ouro argentino porque a Nigéria desperta mais simpatia do que repulsa, e o futebol africano já está merecendo um lugar melhor no mundo. Foram 3 seleções do continente mais explorado de todos entre as 8 nas quartas-de-final.

Hoje quem representa o futebol brasileiro são as meninas, ainda não contaminadas pelo sistema de clubes e CBF. Para elas, futebol ainda é mais esporte do que business. Mas a nossa seleção não conseguiu superar a forte e inteligente marcação norte-americana, que anulou nosso time.

A propósito disso, me marcaram muito as imagens exaustivamente reptidas do Diego Hipólito e do judoca (cujo nome nem sei) que choraram diante da TV por não terem ganhado o ouro. O mesmo aconteceu com as meninas do futebol.

Quem disse pra eles que tinham obrigação de ganhar o ouro? Acho provável que eles estejam assistindo programação da Globo no alojamento. Para um país que simplesmente não dá nenhum tipo de condição para a prática esportiva, quem consegue chegar a finais olímpicas já fez muito mais que a obrigação. E a cobertura esportiva só se lembra dos atletas de 4 em 4 anos, vai ver que é por isso que fica tão em cima. (Sobre isso o Idelber não escreveu, sobrou mais espaço para meus pitacos).

E por último, mas não menos importante, tá lá no Biscoito fino e a massa também a melhor avaliação do que é Caymmi. Que apesar de estar a 7 palmos, para nós não morre nunca...

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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Um que se foi

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Soube pelo Samba, boemia e vagabundos que o Dorival Caymmi se foi.

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País do futuro?

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De 1930 a 1980 o Brasil teve o maior crescimento econômico mundial. Saiu de uma situação ridícula de agro-exportador escravista que foi no império e na 1ª república, e tornou-se uma economia diversificada, urbana, industrializada.

Lidou com muita dificuldade com este salto de posição. Um projeto nacional só conseguiu ser construído por meios violentos e autoritários, como forma de superar crises sociais que inviabilizaram o regime oligárquico.

Mas isso só foi possível com o empurrão da situação internacional. Uma brutal crise das potências européias (1914-1945) e a entrada de dois novos gigantes na geopolítica mundial (EUA e URSS).

Em grande parte, o Brasil se aproveitou das disputas entre as grandes potências para sair do marasmo econômico. Recebeu imigrações maciças de Espanhóis, Portugueses, Italianos, Alemães, Japoneses, Libaneses e Sírios. Fugindo de crises em outros cantos do mundo, os imgrantes ajudaram a construir a riqueza do nosso país. Com a falta de produtos europeus durante a 1ª guerra, começou a primeira onda de industrialização. Com a diplomacia inteligente durante a 2ª guerra conseguimos criar a indústria siderúrgica (importando capital e tecnologia). Com as disputas entre potências, atraímos a indústria automobilística alemã na década de 1950. Com a ameaça comunista nossos governos militares atraíram multi-nacionais e criaram indústrias de alta tecnologia como a Embraer.

Depois que as coisas se estabilizaram, no fim dos anos 1980, o Brasil deixou de ser protagonista. Voltamos a ser como antes de 1930. Um país com uma elite autista, que tem nojo de povo, que vende a alma em troca de vinho francês e i-pod. Aceitamos passivamente um longo processo de empobrecimento e desindustrialização, com forte intensidade de concentração de riqueza.

Agora a situação social interna virou um barril de pólvora, e a entrada do sudeste asiático na geopolítica bagunçou demais as coisas. E o Brasil pode se favorecer de novo.

Lá no blog do Nassif, tem a dica da nova situação toda. O Brasil tem respostas para problemas mundiais muito sérios, tornou-se um competidor respeitado na geopolítica mundial. Vai precisar amadurecer institucionalmente para fazer frente aos novos desafios.

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Um blog Coxa

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Descobri pelas tags do Technorati um interessante blog Coxa. Me parece que é um torcedor anônimo, desses que sabem o que falam. As análises são melhores que as desses comentaristas que são pagos para falar merda no rádio ou na TV.

É o Neto Goulart, do Coritiba, futebol e etc que já está aí na minha seção de links (mundo da bola).

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domingo, 17 de agosto de 2008

Uma rodada para esquecer

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Deu tudo errado.

Meu complô com o Gutemberg Xavier, do Pernambucano, contra os times de Rio e São Paulo não deu certo. O Coxa perdeu do Palmeiras e o Sport foi o único a perder em casa na rodada, dando 3 pontos para o Botafogo passar o Coxa na tabela.

Ouvi o jogo pelo rádio, e só deu Coxa lá no Palestra Itália. Mas não adianta dominar o jogo e não fazer gol. No duelo de artilheiros, Alex Mineiro deixou sua marca e Keirrison foi apagado.

Agora só resta ao Coritiba superar São Paulo, Botafogo e Vitória em jogos decisivos nas próximas rodadas. Palmeiras e Cruzeiro já vão ficando distantes demais para serem alcançados. E o Grêmio já está quase com a mão na taça...

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Dicas quentes sobre blues

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A Sonia do Compartilhando as letras está sempre visitando aqui o blog, e, entre outras coisas, deixando dicas interessantes. Uma delas foi o Recanto das palavras, onde tem esta postagem impagável:

As 20 regras do blues.

Veja um trecho só para sentir o gostinho:

19 - Kit para criar seu nome Blues
a) Nome remetendo a alguma deficiência física ou doença (Blinde, Cripple, Lame, etc) [Cego, Aleijado, Manco]
b) Nome do meio mais o primeiro nome remetendo a alguma fruta. (Lemon, Lime, Kiwi, etc)
c) Sobrenome de algum presidente (Jefferson, Johnson, Fillmore, etc)
Por exemplo, Blind Lime Jefferson ou Cripple Kiwi Fillmore, etc.

Tem fotos e vídeos ilustrativos.

E aprece que tem muito mais coisa boa por lá. Valeu a dica Sonia...

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Balanço do 1º turno

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O 2º turno já começou e eu, faísca atrasada, só agora consigo escrever meu balanço do primeiro.

Tudo bem, meus 8 leitores já sabem que este blog não é up to date. É um blog de opinião, e não necessariamente sobre as últimas coisas que aconteceram.

Então vamos lá:

O balanço do primeiro turno confirma mais ou menos as previsões que fiz antes do campeonato começar. Dos quatro favoritos que apontei, São Paulo e Cruzeiro estão no G4, na briga pelo título. Flamengo esteve na liderança durante muitas rodadas mas derrapou feio no fim do turno. Também, desmontou o time todo. Acho que não tem mais chance de brigar pelo título. O 4º favorito da minha previsão era o Inter, que vem derrapando. Depois da minha previsão ele também já se desmontou todo. Vendeu jogadores importante e perdeu o Abel Braga que era o maior motivo para eu prever que o time seria um dos favoritos. Outro que já está fora da briga...

Apontei outras 4 possíveis surpresas, mais o Coxa a título de "a esperança é a ultima que morre". Botafogo perdeu o Cuca nesse meio tempo, mas ainda tem chace de incomodar alguém. Fica próximo do G4 mas já acho que não fica com uma vaga. O Palmeiras é o que vai mais forte desses, mas acaba de vender Valdívia para os Emirados Árabes, e com o técnico que tem não vai muito longe. Vai ficar fora do G4. O Sport anda a meia força, parece que já fez o que precisa ganhando a Copa do Brasil e, conseqüentemente, a vaga da Libertadores. Não tem chace de brigar pelo título, e não precisa mais pensar em G4, então agora joga só pra não cair.

A maior decepção é mesmo o Fluminense. Eu não imaginava que o time chegaria a uma final de Libertadores. Enquanto disputava o torneio continental, segurava a lanterna do Brasileirão, jogando com time reserva e conseguindo 3 pontos (3 empates) em 9 rodadas. Ficou sem o título continental e agora briga para sair da zona de rebaixamento. Acho que consegue sair. Mas Libertadores do ano que vem, bau-bau.

E o Coritiba confirmou até aqui minhas esperanças. Aos trancos e barrancos vai se afirmando, mais por mediocridade da concorrência que por méritos próprios. Dorival Júnior vem se mostrando um bom técnico, conseguindo entrosamento de um time de jogadores medianos. E o brilho esporádico de Keirrison e Carlinhos Paraíba é que vem levando o time a sonhar com a vaga no G4.

As próximas 6 rodadas serão decisivas, com confrontos com os times que disputam posições diretamente: Palmeiras, Cruzeiro e Vitória fora de casa e São Paulo e Botafogo aqui no Couto Pereira. Depois de passados estes confrontos, já saberemos se o Coritiba irá ou não disputar a Libertadores em 2009.

Continuo achando que acertei a previsão do lanterna - Ipatinga. Os outros candidatos ao rebaixamento da minha previsão continuam firmes na parte debaixo da tabela: Vasco, Santos, Atlético PR, Goiás, Vitória, Atlético MG, Portuguesa.

O Náutico anda freqüentando essa região também, mas já foi líder com Roberto Fernandes no comando, e subirá com a volta do treinador após purgar uns meses no Atlético-PR.

O maior erro da minha previsão foi achar que o Grêmio ficaria na zona intermediária da tabela. É agora o time mais forte, e dificilmente perderá o título. Desde 2003, quando começaram os campeonatos por pontos corridos, sempre o time que termina na frente o primeiro turno acaba campeão. E do jeito que vai, não vejo nenhum time com força para quebrar essa escrita.

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A exceção que confirma a regra

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O primeiro ouro olímpico da natação "brasileira" veio de um nadador que não treina no Brasil. O primeiro ouro do Brasil em Pequim veio de um esporte que muito poucos praticam no país. Afinal, quem tem dinheiro para pagar aulas de natação para as crianças? Ou alguém conhece uma escola (pública ou mesmo particular) que inclua natação entre as práticas da Educação Física? (Eu estudei em uma, o CEFET-PR, outra exceção a confirmar a regra).

O tamanho da catarse na comemoração é por que não serão muito mais medalhas douradas. O único esporte a montar uma equipe de ponta por conta da ação pública do Estado foi a ginástica artística. Este parece que já perdeu as chances de medalha que tinha. Política equivocada por sinal, porque focada só em esporte de alto rendimento, sem disseminar a prática generalizada pelas escolas do país (igual acontece com a natação).

Esta aí a cena patética (no sentido original, derivado de pathos - sentimento exacerbado, emoção):

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Os 200 mais

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Rankings são ruins, porque sempre tem mil furos, mil possibilidades de terem seus critérios contestados.

Rankings são bons, porque ajudam as pessoas a descobrir coisas. Mais ou menos como pesquisas de intenção de votos numa eleição.

Sabendo disso, recomendo aqui uma lista dos 200 blogs mais populares do Brasil em 2008. Está lá no Mundo Techno, e foi feita com base em critérios bastante diversificados, partindo de um universo dos blogs que estão no Blogblogs, o principal portal de blogs do Brasil.

Entre os 200 mais, estão 3 blogs aí do meu blog-roll, os quais costumo ler com certa freqüência:

pos 51 - Pedro Doria

pos 60 - O biscoito fino e a massa

pos 63 - Blog do Juca

este último blogueiro deve ser um dos mais lidos do Brasil, mas é prejudicado por estar num portal (UOL) que acintosamente desrespeita a ética do mundo blogueiro, o que impede que o Juca circule por esse universo livre que é a blogosfera. Por exemplo, nos blogs do UOL, não é permitido postar comentários se você não for usuário UOL. Quer limitação mais ridícula que essa? Outra: não existe link para as postagens. Se quiser colar um link precisa mandar a notícia pra você mesmo por e-mail. Muito primitivo...

De tal forma que, quem aceita ter um blog num portal desse (no caso do Juca,
muito bem pago), merece mesmo ser prejudicado em qualquer ranking...
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Pequeninos

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E traziam-lhe também meninos, para que ele lhes tocasse; e os discípulos, vendo isto, repreendiam-nos.

Mas Jesus, chamando-os para si, disse: "Deixai vir a mim os meninos, e não os impeçais, porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como menino, não entrará nele."

Lucas 18:15-17

A melhor exegese que já vi deste texto bíblico está lá na Trilha.

Acompanhada da melhor ilustração prática:

Estou no ranking blogs

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Coloquei mais um chiclet aí do lado. Agora estou no ranking blogs e estou convidando meus 7 ou 8 leitores a votarem em mim por lá.

Meu objetivo é estar entre os 25 primeiros até 2033, quando estarei com 60 anos. Então ganharei muito dinheiro com o blog e poderei me aposentar.

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domingo, 10 de agosto de 2008

Mais Olimpíada

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Acabo de descobrir mais uma coisa importante.

Parte de nosso pífio desempenho olímpico está na desigualdade de participação entre os gêneros. As mulheres brasileiras quase não ganham medalhas.

Isso mostra que, além da exclusão social (que escrevi aqui como sendo causa de nossa mediocridade), praticamos uma abominável exclusão de gênero. Da qual devíamos nos envergonhar. Ou seja, somos um país onde as mulheres tem menos participação que os homens na vida social, inclusive na prática esportiva.

Descobri isso aqui no blog do Álvaro José, que acredito ser o melhor comentarista de esportes olímpicos. O blog merece ser acompanhado de perto...

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Olimpíada

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E a Olimpíada? Assisti um pedaço da abertura na 6ª feira na hora do almoço. E fiquei com vontade de escrever um pouco sobre os jogos.

Já vi muita gente escrevendo e falando por aí que a China não pode sediar uma Olimpíada por que oprime o Tibet, tem pena de morte, etc.

Não vou nem me dar ao trabalho de linkar os lugares onde se escreveu tanta asneira. Se fosse para exigir atestado de bons costumes, nenhum país poderia sediar nada. Ou talvez só os países da Europa Ocidental ou da Escandinávia, onde existe uma virtuosa conjunção de liberdades democráticas com justiça social. E não existe pena de morte. E onde as grandes empresas não fazem seus interesses mesquinhos prevalecerem sobre o interesse coletivo. Onde os valores financeiros não são maiores que os valores humanos.

No fim a imprensa e alguns blogs compram a idéia besta de que Olimpíada deve ser um lugar para se exercitar interesses geopolíticos. Acho que a primeira a ser explicitamente usada para tal fim foi a de Berlim 1936, quando os nazistas esperavam mostrar a glória de seu regime. Pergunte se algum país pensou em boicote. Ninguém se incomodava com o regime e seus assassinatos eugênicos. Principalmente porque em 1936 eles estavam matando comunistas, e todo mundo queria mesmo se ver livre disso...

Depois tivemos o horripilante atentado à delegação israelense em Munique 1972. E o boicote ocidental a Moscou 1980. E a retaliação do bloco soviético a Los Angeles 1984. Ironicamente a primeira Olimpíada onde a China foi aceita com sua delegação, numa política de dois pesos e duas medidas: os comunistas soviéticos deviam ser boicotados por não serem "democráticos". (Escrevi outro dia sobre esse negócio de "democracia".) Os comunistas chineses começavam a ser incluídos na comunidade internacional, após uma inteligente percepção de que o isolamento só aguçava os perigosos conflitos com o Ocidente.

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O Brasil, como sempre terá um desempenho medíocre. Vai ficar ainda naquela de ver se consegue superar a marca risível de 5 medalhas de ouro. Pela nossa população, extensão territorial e PIB, tínhamos que estar disputando posição no quandro de medalhas com Rússia, China, Alemanha, França.

Mas não temos condições. Em Atenas 2004 ficamos em 16º no quadro de medalhas, atrás de países que não têm condições econômicas nem demográficas de ter uma estrutura esportiva melhor que nossa: Austrália (4º lugar), Cuba, Ucrânia, Hungria, Romênia, Grécia. Sem falar nos outros países que superamos no detalhe da quantidade de ouros, pois tivemos um total de medalhas muito semelhante: Países Baixos (Holanda), Espanha, Turquia, Canadá, Polônia, Bielorrússia e Bulgária.

E porque? Porque não investimos minimamente em criar espaços para a prática esportiva. Nem nosso sistema escolar propicia isso decentemente. Vamos formando gerações de crianças e jovens que são campeões de vídeo-game, celular, orkut, msn, shoping, TV-a-cabo. Todas modalidades não-olímpicas. Gente que não anda de bicicleta, não empina pipa, não chuta bola.

Tudo bem, estou falando de gente que escolheu essa vida, pois teria recursos para praticar esportes por sua própria iniciativa e recursos. E aliás, são em geral os que chegaram ao esporte por essa via que ganharam os ouros do Brasil em esportes de alto custo como vela, equitação ou natação. Gente que chegou ao topo por mérito individual, pouco fazendo diferença se praticou esportes no Brasil ou não (muitos aliás treinam em outros países).

E a grande maioria das nossas crianças, que tem fraco desempenho escolar, péssima auto-estima, nenhuma perspectiva de futuro profissional (tanto que trabalhar para o crime passa a ser não a melhor, mas a única opção), nenhuma estrutura familiar e nenhuma condição de fazer nada com recursos próprios?

Para esses não temos projeto nacional coletivo. Para esses o Estado não existe. Para esses só temos uma solução: polícia, porrada, FEBEM, grupos de extermínio. Deus-nos-livre criarmos alguma possibilidade em que nossas crianças tenham que conviver com pobres. Afinal, para nós a pobreza é genética, é racial. É contagiosa. Não é conjuntural. Não pode ser resolvida por iniciativa política.

Por isso, qualquer iniciativa que implique em investimento maciço do Estado em políticas públicas de educação, saúde ou cultura é sempre desprezada e combatida. Queremos Estado para construir estradas e manter uma polícia que garanta a propriedade, e não a vida. Queremos universidade pública de alto nível e gratuita para nossos filhos. E esperneamos contra qualquer política de cotas que garanta o acesso a pobres.

Queremos Estado mínimo e redução de "carga tributária". Para depois ficarmos assistindo na TV aqueles programas policiais nojentos, nos elucubrando com uma polícia assassina. Tudo no conforto de poltronas com ar-condicionado, dentro de condomínios com guarita e cerca elétrica.

E nos resta torcer com o Galvão Bueno para conseguir pingar um ourosinho aqui, outro ali. Quem sabe "as meninas do vôlei", ou o "time do Bernardinho".

Mas podia ser diferente. Podíamos ter uma campo de atletismo com um treinador em cada bairro. E uma piscina de natação. E uma quadra poli-esportiva. E todas as crianças praticariam esporte. Por saúde. Por prazer. Por companheirismo. Como parte da educação e da formação de cidadãos.

E como efeito colateral teríamos um ou outro pegando gosto pela coisa. Treinando que nem doido. Indo para as competições que seriam feitas: regionais, estaduais, nacionais. Aprenderiam disciplina e superação de limites. Conheceriam outras regiões do país. E fariam tudo sem prejudicar os estudos. Seriam adultos com um que a mais. Experiências para contar. Prática em superar desafios mais difíceis.

Alguns destes decidiriam seguir praticando esportes. E iriam para competições internacionais. E uns poucos ganhariam medalhas e disputariam uma olimpíada. Mas esses "poucos" já seriam muitos, por causa do tamanho do Brasil. Dos nossos 30 milhões de crianças em idade escolar, digamos que conseguíssemos uns 0,1% de esportistas de alto nível. Já seriam 30 mil competidores internacionais. E não ficaríamos nessas ridículas 10 medalhas que tivemos em 2004.

Custa muito? Quase nada. Uma migalhinha do orçamento. E por que não fazemos? Temos preguiça. Não temos projeto coletivo. Ainda somos uma imensa casa-grande a olhar com condescendência para nossa gigantesca senzala. E já nos sentimos magnânimos em permitir que os pobres vivam das migalhas que nos sobejam.

Não sentimos vergonha da nossa miséria nacional. Ou melhor. Sentimos vergonha sim. Mas a única proposta que conseguimos conceber é a eliminação física dos pobres. Nunca seu desenvolvimento e sua inclusão numa sociedade onde seriam nossos iguais.

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Abandono

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Uma semana de abandono do blog. Meus 6 ou 7 leitores devem ter ficado aliviados. Afinal, tiveram uma folga das minhas bobagens...

Não tive tempo de escrever nada esta semana. E não é por falta de idéias não. A cabeça está fervilhando. E devo ter uns 8 ou 10 posts na manga. Se conseguir vou "desovar" isso nos próximos dias. Mas o mais provável é que vão surgindo novos assuntos, esses que estão guardados vão ficando velhos. E aí chega uma hora que abandono a intenção de escrevê-los.

Acho que deve ser assim com todo mundo que escreve. Comecei este blog em setembro passado, já vai quase fazendo um ano. E tenho uma pasta aqui no meu disco rígido com postagens que já vão fazer um ano que estão "quase prontas". Esperando uma finalização para serem publicadas.

Talvez seja bom assim. Com um pouco de tempo para as palavras amadurecerem, corremos menos risco de escrever bobagens. É por isso que gosto de ler jornal com uns dias de atraso. Aí já deu tempo de saber o que é realmente importante. Que idéias ali mereceram um mínimo de sobrevida ao "calor da hora".

E foi uma semana bem curitibana. 7 dias de frio mais ou menos intenso, somado a uma chuvinha constante. Céu cinzento. Todos os sapatos molhados. Roupa que leva 3 dias para secar no varal. As crianças sem poder sair de dentro de casa para brincar.

Só quem passar muitas vezes na vida por uma experiência assim será capaz de entender o proverbial mau humor curitibano.

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segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Que democracia?

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Palavras significam coisas diferentes para pessoas diferentes em lugares diferentes e épocas diferentes.

"Democracia", por exemplo. A palavra surgiu na Grécia, século V a.C. (se não me falha a memória), e significava um regime de participação política restritos aos "cidadãos", que eram homens adultos, moradores da cidade (polis) e proprietários de terra. Em relação a outros sistemas políticos da época, a democracia criou um diferencial pelo fato de que na ética das cidades-estado gregas, o cidadão empenhava-se pessoalmente na defesa de sua cidade, ao invés de contratar mercenários que lutassem por ele numa guerra.

Por uma série de fatores, a democracia grega era muito diferente do que costumamos entender pelo termo hoje em dia. Por exemplo, a sociedade grega era escravista. E ninguém achava "anti-democrático" que as mulheres não tinham nenhum tipo de direito político.

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Nos séculos XIX e XX foram também se consolidando dois conceitos concorrentes de democracia.

Um, capitalista, considera democracia o respeito à propriedade e às "leis de mercado", tudo garantido por um sistema de representatividade política através de um parlamento cujos representantes são escolhidos em eleições "livres". Na prática elas nunca são tão livres, mas tudo bem, não vamos complicar o conceito dos caras...

Outro, comunista, considerava democracia a justa divisão da propriedade dos meios de produção, mesmo que para que isso fosse implantado houvesse um período de "ditadura do proletariado", exercida através de sua "vanguarda" - os revolucionários profissionais do partido. Essa já virou motivo de piada.

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Acho que tem muita gente tentando chegar a um difícil equilíbrio entre as duas interpretações acima, para isso existindo um termo vago e incerto: "social-democracia". No Brasil este termo não significa nada, mas na Europa é usado para aqueles grupos políticos que tentam chegar a uma maior justiça social (pleno emprego, distribuição de riqueza, sistema de saúde e educação universais) com efetiva participação política em eleições e outros tipos de exercício de cidadania.

Acho que o melhor exemplo disso são os países nórdicos (Noruega, suécia, Finlândia, Dinamarca). E não é coincidência que sejam os países com melhores indicadores de "qualidade de vida" - uma mistura que mede índices de saúde, educação e renda.

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Imagine um dinamarquês, acostumado a essa social-democracia, chegando para viver nos Estados Unidos. O que ele acharia da democracia dos EUA?

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A democracia é boa para todos?

Depende de que tipo de democracia e de onde você nasceu e cresceu. Na Dinamarca achamos que ela é boa para todos, mas quando vim aos EUA e vi o que chamam de democracia, sem saúde e educação universal, então acho difícil dizer o mesmo dos EUA.


Resposta de Lars Ulrich, baterista do grupo Metallica, em parte de sua entrevista publicada no jornal METRO de 8/10/2007.

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domingo, 3 de agosto de 2008

Só para desementir

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Parece que os xingões que levou na quinta-feira fizeram o Keirrison acordar. Depois de uma atuação apática contra o Grêmio em casa, ele faz os 3 gols da vitória contra o Santos na Vila Belmiro. Artilheiro é assim. Quando parece que está mal, vai lá e decide o jogo (como quase aconteceu no único lance de perigo do Coxa na quinta-feira, mas naquela a bola foi para fora).

Esse é garoto que conhecemos, revelado no juniores, líder do time que subiu da segundona, artilheiro do estadual deste ano. E se ele realmente pretende sair do Coritiba para ganhar mais (dinheiro e destaque) num clube de maior projeção - nacional ou até internacional, é melhor sair pela porta da frente. Jogue sempre assim, e terá um futuro brilhante. Ganhe destaque no Brasileirão pelo time que o revelou, e depois decida como será em 2009.

Eu particularmente acho que o Coxa ainda oferece boas perspectivas para ele se quiser ficar aqui ainda em 2009. Até o fim do ano ele talvez perceba isso.

Com a vitória de hoje o time se reabilita da derrota em casa, recupera a 7ª posição na tabela, e volta a sonhar com uma aproximação da zona de classificação para a Libertadores. Se teve culhão para derrotar o Santos fora de casa, tem tudo para fazer o mesmo com o Vasco. E fechar o primeiro turno derrotando em casa o forte time do Sport Recife.

E para ficar perfeita a rodada, não basta o Coxa ganhar. Por isso o Atlético foi surrado em casa pelo Botafogo (3x0) e entrou na zona de rebaixamento. Com o time que está, vai ficar até o fim do ano tentando sair dali.

Veja os gols do Coritiba:




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sábado, 2 de agosto de 2008

Já vai tarde, ministro

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Este blog congratula-se com a saída de Gilberto Gil do Ministério da Cultura. Nada contra a pessoa do ministro, e muito menos contra a atuação do ministério, à qual, pelo pouco que acompanhei, só tenho elogios.

Por exemplo, foi muito boa a política do ministério de des-centralizar as iniciativas culturais. Afinal, a cultura brasileira vai muito além do Rio-São Paulo. Houve também ótimas iniciativas para democratizar a cultura, como por exemplo toda a discussão que foi feita em torno das possíveis mudanças na Lei do Audiovisual. Obviamente esta é uma questão que envolve escabrosas disputas de poder, e que portanto têm de ser resolvidas em nível hierárquico superior ao do MINC. Mas pelo menos o setor da cultura iniciou uma discussão com participação da sociedade. Outro fator muito importante foi o engajamento pessoal do artista-ministro na discussão sobre direitos autorais e o apoio ao projeto Creative Commons.

O que me contrariava na gestão de Gilberto Gil era o fato de ele querer ser um ministro-cantor. São duas ocupações excludentes, nas quais ocorrem muitos tipos de conflitos de interesse. É nítido e claro que, mais do que um serviço público prestado à cultura nacional, a atuação de Gil no ministério serviu principalmente como veículo de divulgação e incremento de sua carreira artística, principalmente no exterior. Aliás, o próprio ministro admite isso, e aponta o incremento da carreira como motivo para deixar o cargo, coisa que ele já vem tentando fazer desde 2006, mas sempre ficando mais um pouco a pedido do presidente Lula.

Assim, se o verdadeiro executivo da pasta ficar mesmo no cargo, o Brasil só tem a ganhar. Só espero que o ministério não entre como cota de alguma de negociação política mesquinha como sempre acontece neste governo (não mais do que nos anteriores).

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Saiu a pesquisa para Fortaleza

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Estou tentando acompanhar as eleições municipais aqui no blog. Já coloquei postagens sobre as pesquisas anteriores:

Primeiras pesquisas do Datafolha (São Paulo e Rio de Janeiro)

Nova rodada de Pesquisas do Datafolha (São Paulo)

Nova pesquisa Datafolha no Rio de Janeiro

Primeiras pesquisas em outras capitais (Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador e Recife)


Agora saiu a primeira pesquisa para Fortaleza.

A prefeita Luizianne Lins lidera com 16% de citações espontâneas. Estou me referindo ao tipo de pesquisa em o eleitor responde à pergunta "em quem você pretende votar nas eleições de outubro?". Na pesquisa estimulada, aquela em que o entrevistado escolhe o candidato em uma lista apresentada a ele, a prefeita tem 30% das intenções de voto, empatada com Moroni Torgan.

Luizianne Lins (PT) 30
16
Moroni Torgan (PFL) 30
11
Patrícia Sabóia (PDT) 22
8
Renato Roseno (PSOL) 2

Adahil Barreto (PR) 1

Aguiar Jr. (PTC) 1

Pastor Neto (PSC) 1

Sílvio Frota (PAN) 1



Todas as pesquisas até agora publicadas foram feitas antes do início efetivo das campanhas. Ou melhor, as candidaturas já estão registradas e a campanha já começou. Só que, nas eleições majoritárias (para prefeito), o que conta mesmo é a campanha na televisão. Quando esta começar, vai mudar tudo.

Aliás, se acontecer como nas eleições passadas, o grosso das mudanças na opinião do eleitor acontece mesmo na última semana. Por isso gosto muito de enfatizar a pesquisa espontânea (a coluna direita na tabela acima). É a que mostra a posição mais consolidada dos candidatos. A estimulada (coluna da esquerda) é muito efêmera, pode mudar de um dia para o outro.

Interpretando a pesquisa espontânea, pode-se ver que 65% dos eleitores de Fortaleza ainda não tem candidato definido. Os que já definiram um candidato, também podem mudar ainda de opinião.

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Revista Cultura Política

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Quem é historiador ou pesquisador, ou mesmo curioso sobre o Brasil do período do Estado Novo (1937-1945) com certeza conhece ou já ouviu falar da Revista Cultura Política.

Era uma publicação mantida oficialmente pelo governo, vendida em banca, com boa tiragem. Autores de alto nível. Uma revista oficial, mas não oficialesca. Consulta indispensável para quem estuda a cultura brasileira neste período.

Apesar de ter sido uma revista de ampla circulação, não é muito fácil encontrar hoje uma coleção completa dela em arquivos. Quando fiz meu mestrado, no qual pesquisei nacionalismo musical nos anos 1940 e 50, tive dificuldades para consultar a revista. Não achei em nenhum arquivo em Curitiba, onde moro. Achei a coleção quase completa na biblioteca da FAFICH-UFMG em Belo Horizonte.

Agora, ótima notícia. O arquivo que tem a coleção completa é o CPDOC da Fundação Getúlio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro. E eles digitalizaram a coleção completa da revista e disponibilizaram para consulta on-line.

Basta clicar aqui.

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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Cabeça inchada

Acordei hoje com a cabeça inchada. Fui dos 33 mil-e-não-sei-quantos que estavam lá no Couto Pereira para ver o Coritiba enfrentar o Grêmio. Tomei chuva e vi meu time ser dominado pela forte marcação do tricolor meridional.

Este confronto não acontecia desde 2004, pois em nos últimos 3 anos os times estiveram em divisões diferentes no Brasileirão (Grêmio na segundona em 2005 e Coxa em 2006 e 2007). Além disso, dois importantes jogadores do time Coxa que fez bonito em 2003 jogam agora no Grêmio: o meia Tcheco e o atacante Marcel. Ambos desequilibraram o jogo. Marcel, que já foi artilheiro com a camisa alvi-verde, desta vez foi o carrasco, marcando o gol numa cabeçada após cobrança de escanteio a 6 minutos do 2º tempo.

O Coritiba não conseguiu, em nenhum momento, superar a forte marcação do Grêmio. Carlinhos Paraíba foi anulado no jogo. O Coxa só conseguiu dois lances efetivos em direção ao gol adversário. Um chute de Rodrigo Mancha no primeiro tempo, rasteiro de fora da área, que passou rente à trave. E um lance no final do segundo tempo, quando Marlos driblou e carregou a bola em velocidade, lançando Keirrison livre na entrada da área. O atacante chutou perigosamente encobrindo o goleiro, mas a bola foi um pouco alta demais, passando por cima da trave.

Não foi um jogo de grandes emoções, exceto pela emoção contínua da agonia de ver o time impotente diante do adversário. O Grêmio também só levou perigo em 2 lances e não teve méritos para ganhar a partida. Tem uma excelente marcação, mas o gol foi um lance isolado, de escanteio.

Acho que o Coritiba está chegando perto do time ideal. (Veja bem, estou de falando de ideal para o elenco que temos.) Na minha opinião deve ser Edson Bastos, Maurício, Nenê e Felipe. Guaru (e não Ricardinho), Rodrigo Mancha, Carlinhos Paraíba, João Henrique e Rodrigo Heffner (temos outros laterias bons para a posição, mas este é aceitável e é o único que não está contundido). Alguém que não seja o Keirrison e Hugo. Espero que o atacante possa ser o Ariel Nahuelpan que acho que estréia neste domingo contra o Santos.

Keirrison quer sair do Coxa. Como não foi negociado com o Palmeiras, agora fica fazendo corpo mole. Escorrega sempre. Posiciona-se fugindo da bola. Disputa todos os lances para perder. Corre o mínimo possível. Se quer ir embora que vá. Se não valoriza a camisa que veste, não merece jogar pelo time.

Infelizmente é assim. Os garotos querem jogar no time para ganhar projeção. Já sonham em ser vendidos. Até parece que ganham pouco por aqui. Também é fato que os empresários canalhas forçam a negociação por que levam uns milhões de comissão.

De qualquer forma foi um jogo bom de ser assistido. Fui com o Fábio Poletto, colorado que foi secar o Grêmio. Terminou duplamente infeliz pois, além de ver o arqui-rival derrotar meu time, tinha acabo de ver o Inter perder a invencibilidade em casa contra o Santos na 4ª feira.

Agora o Coritiba inverteu. Ganhou a primeira fora para em seguida perder a primeira em casa. Está em 8º lugar, mas próximo dos 4 que classificam para a Libertadroes 2009.

Ainda pode fazer bonito na temporada.

Mas sobretudo, ganhar musculatura para ter um time de verdade para o ano do centenário. Quando, quem sabe, poderá jogar o campeonato sonhando com o título...

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TVE Paraná

Outra coisa boa que está acontecendo aqui no blog, é que os temas políticos estão suscitando controvérsias. Por enquanto são comentários raivosos deixados por anônimos. Um deles está neste post:

Candidatos a prefeito em Curitiba.

Não me ofendo. Blog é pra isso mesmo.

Ontem outro comentário do tipo apareceu numa postagem mais antiga sobre o Requião e a TV Educativa. Acabei descobrindo que este tema também foi assunto de outros blogs, como este de um gaúcho que lamenta que seu estado não tem uma TVE como a nossa.

Melhor ainda é esta postagem sobre um convênio entre a TVE Paraná e a TVSUR venezuelana. O blogueiro fala mal do projeto por que diz que a TVE Paraná teria "6 horas diárias de Hugo Chávez". E anexa uma nota que mostra o contrário - o convênio prevê 6 horas diárias de TVE Paraná na TV venezuelana.

Quando o assunto é política, muitas pessoas não conseguem construir um raciocínio coerente ou uma argumentação. O que existe é o ódio a uma facção rival, sentimento a partir do qual se mata ou morre. Quando é que vamos chegar no Brasil à constituição de um espaço público civil onde discutimos projetos de Estado, de Nação e de desenvolvimento sem atrelar isso a querelas pessoais e melindres familiares?

Não tenho nenhuma simpatia pelo Requião. Só que o governo dele é bom. Por muitíssimos motivos. O que não exclui dizer que outros governos de outras facções tenham sido bons também.
Este ano, de eleições municipais, a coisa promete esquentar...

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