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Agora que as olimpíadas já passaram, já posso fazer minha avaliação. O quê? Você acha que estou atrasado? Pois este blog não é sobre as últimas novidades, mas um espaço de reflexão. E para isso é preciso amadurecer as idéias. Então vejamos:
Esta olimpíada consagrou um país que se preparou muito para ela. Foram bilhões investidos na construção de uma estrutura olímpica e na modernização urbanística da cidade de Pequim. Afinal, a China sabe que para ser respeitada na comunidade internacional não basta pujança econômica e poderio militar. É preciso um certo deslumbre cultural, e o desempenho esportivo nas olimpíadas teria forte impacto nesse aspecto. Sobre como a China investiu na estrutura e na equipe olímpica vitoriosa, está tudo lá no Balípodo.
O investimento incluiu um projeto iniciado em 2000 para desenvolver equipes mais competitivas em esportes nos quais os chineses tinham fraco desempenho, como atletismo e natação. O desempenho nestes esportes continuou fraco este ano (apenas um ouro na natação e nenhum no atletismo). as foi altamente compensado pelo desempenho arrasador na Ginástica Artística (9 ouros), no Levantamento de Peso (8 ouros) e nos Saltos Ornamentais (7 ouros), modalidades que somadas deram quase metade dos 51 ouros chineses.
Um resultado desse desempenho foi que a China superou os Estados Unidos no quadro de medalhas. Obviamente os norte-americanos não assimilaram bem este fato, como nos conta o Recanto das palavras. Os jornais norte-americanos mudaram o critério de classificação para número total de medalhas ao invés do número de ouros. Tudo para poder estampar o nome do país no topo como quase sempre. Desde os primeiros jogos em 1896 os EUA se acostumaram a ficar no topo do quadro de medalhas. Só perderam para os anfitriões em Paris - 1900, Londres - 1908 e Berlim - 1936. Entre 1956 e 1992 também tiverem que se revesar no topo com a União Soviética. Aliás, o blog do Luciano Rosa deu-se o trabalho de somar as medalhas das ex-repúblicas soviéticas. Nessa contagem os EUA teriam ficado com o terceiro lugar - mas isso já seria uma humilhação insuportável...
Isso tudo fez parte de um contexto geral de crescimento do desempenho olímpico dos países asiáticos. Além da China, destacaram-se Japão e Coréia do Sul. Mas muitos outros países tiveram crescimento significativo em relação a seu desempenho recente, como nos conta o correspondente Globo na China.
Se levarmos tudo isso em conta, até que não foi tão ruim o Brasil manter o desempenho no mesmo patamar das edições recentes dos jogos. Mas eu insisto em continuar dizendo que o Brasil tem tamanho para disputar posições no topo do quadro, com Grã-Bretanha, Alemanha, Japão, Coréia do Sul, Itália, França (quem não tem tamanho, mas mesmo assim está no topo é a Austrália, com um incrível 6º lugar e 14 ouros). Ao invés disso continuamos patinando lá atrás, disputando posições com países bem menores ou bem mais pobres, como Quênia, Bielorrússia, Etiópia, Noruega, Eslováquia, Nova Zelândia, Mongólia ou Coréia do Norte.
E qual o motivo do nosso desempenho medíocre? Eu já previa isso antes de os jogos começarem, porque não desenvolvemos políticas para generalizar a prática desportiva, especialmente nas escolas. O mesmo nos diz Victor Birner. E Juca Kfouri informa que, ainda mais grave, o desempenho é ridículo se levarmos em conta o montante investido na preparação da equipe olímpica nos últimos 4 anos: mais de um bilhão de reais (investimento direto e renúncia fiscal). Equivalente à quantia investida pela Grâ-Bretanha para ficar em 4º lugar com 19 ouros!
Então porque isso não dá mais resultado? Investimento burro, focado em esporte de alto rendimento, ao invés de investir com muito mais resultado no esporte de base. Quantas quadras e pistas de atletismo poderiam ser construídas nas escolas com esse dinheiro? Quantos treinadores de equipes escolares poderiam ser pagos? Além disso o dinheiro escoa pelo ralo do mau plenejamento, como a sucessão de trapalhadas que atrapalhou o basquete feminino, segundo Magic Paula. É também a Paula que nos lembra que os esportistas abandonam a escola para se dedicar à carreira - e o baixo nível educacional talvez explique os chorões medalhistas (ou não medalhistas).
E a Cristina do Contra Capa, de um país de desempenho ainda mais fraco que o nosso, ainda encontra beleza nos jogos olímpicos...
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O Coritiba mereceu
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Ontem o STJD definiu a punição ao clube pela tragédia no Couto Pereira.
Perda de mando de 30 jogos e multa de R$ 600 mil. Justo. Ao contrário de
amigos meu...
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