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"Sem o direito à moradia digna, acumulam-se (...) em área de encosta ou em domínio de rio. Esperando para ver se sobrevive à próxima enchente ou ao próximo desabamento."
Quando escrevi estas palavras, falando sobre o que conseidero "refugiados em sua própria terra", eu não tinha qualquer intenção premonitória ou profética. Mas dois fins de semana depois o estado vizinho do meu teve suas regiões mais populosas devastadas por uma tragédia inimaginável.
Comparável talvez ao tsunami do sudeste asiático, ou ao terremoto de Nova Orleans. Sem dúvida pior do que qualquer acidente climático já havido no Brasil.
A ocupação imobiliária das regiões de encosta do vale do rio Iajaí, ou nos estuários que são Joinville e Itajaí, ou na ilha de Florianópolis começa a ser afetada pelo tipo de problema que os especialistas prevêem que se tornará comum com o aquecimento global.
Além da capacidade humana de prever o imponderável que são as condições naturais, a trajédia catarinense nos mostra a nossa incapcidade de planejamento estratégico da ocupação geográfica. Estamos destinando para ocupação urbana áreas que não tem condição geográfica para isso.
Porque não temos nenhuma iniciativa de solução do déficit habitacional, as pessoas com menos recursos são obrigadas a se expremer em regiões próximas ao dinamismo econômico. Vivem onde não seria possível, porque só ali há empregos, hospitais e escolas.
Foi Santa Catarina. Mas pode ser Rio de Janeiro, Recife ou qualquer outra aglomeração urbana. Onde grandes contingentes de população estão extremamente vulneráveis.
E os catarinenses depois de 25 anos reconstruindo suas vidas foram novamente vítimas de uma destruição de proporções ainda maiores.
Este blog presta sua solidariedade. O Tuco está lá - sua casa ficou de pé e eles está ajudando muitos deseperados. Vem dele a dica de se acompanhar tudo pelo allesblau - blog que faz o que os grandes meios de comunicação não são capazes: mostrar a tragédia e a brava resistência dos catarinenses como é vista por eles mesmos.
E o restante do Brasil vai tendo oportunidade de mostrar solidariedade de diversas formas. Em todos os lugares há postos de coleta de donativos. Sei que aqui em Curitiba o Corpo de Bombeiros está prestando esse serviço de recolher donativos.
Precisam-se de roupas, cobertores, água mineral, comida pronta (bolachas, barras de cereal, sucos de caixinha), ferramentas, material de limpeza. E também voluntários para ajudar de muitas formas. Parece-me que a mobilização no Brasil está sendo rápida.
E há também os oportunistas, que já estão tentando obter vantagens da desgraça alheia. A rede Record de Televisão, ao invés de recomendar instituições confiáveis que arrecadam doações, resolveu ela mesma abrir uma conta corrente para tal fim. Assim, a doação das pessoas poderá ser usada para prestar solidariedade em nome da emissora que decidirá (com que critérios?) como ajudar os necessitados. Bem ao estilo da Igreja Universal do Reino de Deus, proprietária da emissora.
Ontem a noite, logo após o anúncio do número da conta corrente para a qual a emissora irá pedir dinheiro constantemente nos próximos dias, já apareceu a informação de que o Beto Carreiro World irá destinar toda a arrecadação do dia 12 de dezembro para as vítimas da enchente.
Os catarinenses não precisam deste tipo de "ajuda". Encaminhe suas doações para órgão confiáveis, que não farão publicidade ou extrairão vantagens da desgraça ocorrida.
P.S. O blog do Idelber Avelar dá os números das contas bancárias do Fundo Estadual da Defesa Civil.
P.S.2 Leia também no allesblau: 60% das áreas afetadas pelas chuvas em Blumenau não poderão voltar a ser ocupadas, avaliam pesquisadores.
P.S.3 Uma avaliação política parecida com a minha no Livre Pensar.
P.S.4 Outro blog que está dando show de cobertura, prestando mesmo um serviço indispensável é o Soco na costela.
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O Coritiba mereceu
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Ontem o STJD definiu a punição ao clube pela tragédia no Couto Pereira.
Perda de mando de 30 jogos e multa de R$ 600 mil. Justo. Ao contrário de
amigos meu...
1 semana atrás
