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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Um curso de História da Música

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Neste momento (esta postagem é programada) devo estar em sala de aula começando a ministrar um a disciplina de pós-graduação.

A ementa, bibliografia e programação de seminários segue abaixo. É por um motivo técnico, que facilitará a comunicação com a turma. Tornando público, talvez possa interessar a mais alguém.

(Tem problemas com a diagramação porque tentei colar do editor de texto...)


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Faculdade de Artes do Paraná – FAP

Curso de pós-graduação Lato sensu

Especialização em artes e ensino das artes


História da Música


Docente: Prof. Ms. André Egg

Carga horária: 30 h/a

Data de realização: 28/02, 7/03 e 14/03 de 2009


Ementa: Um estudo histórico da música na era contemporânea (séculos XIX e XX).

Conteúdo programático:

Música e modernidade: espaço público e racionalização burguesa – o sistema tonal

Romantismo, vanguardas e a reação à modernidade: o processo de diluição do tonalismo no século XIX

Centro e periferia – o surgimento da música popular no continente americano

Vanguardas do século XX – a modernidade em curto circuito (o caso do serialismo)

O Realismo socialista, ou como tentar ser vanguarda política com conservadorismo estético.

O jazz como obra-de-arte no pós 2ª guerra mundial

As vanguardas da geração do pós-guerra

O problema da música do passado e o congelamento do repertório de concerto


Bibliografia:

FERRAZ, Silvio. Música e repetição. A diferença na composição contemporânea. São Paulo: EDUC/FAPESP, 1998.

GRIFFITHS, Paul. A música moderna. Uma história concisa e ilustrada de Debussy a Boulez. Rio de Janeiro: Zahar, 1987.

HOBSBAWN, Eric. História social do jazz. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990. [1962].

KERMAN, Joseph. Musicologia. São Paulo: Martins Fontes, 1987.

SANDRONI, Carlos. Feitiço decente. Transformações do samba no Rio de Janeiro (1917-1933). Rio de Janeiro: Zahar/UFRJ, 2001.

SEVCENKO, Nicolau. "A capital irradiante" in História da vida privada no Brasil. Volume 3 - República: da Belle Époque à era do rádio. São Paulo: Cia. das Letras, 1999. p. 515-619.

TATIT, Luiz. O século da canção. Cotia: Ateliê Editorial, 2004.

WEBER, Max. Os fundamentos racionais e sociológicos da música. São Paulo: EDUSP, 1995. [1921]. Tradução, introdução e notas de Leopoldo Waizbort. Prefácio de Gabriel Cohn.

WISNIK, José Miguel. "Machado maxixe: o caso Pestana." In Teresa – revista de literatura brasileira. nº 4/5. São Paulo: Editora 34, 2003. p. 13-79.



Avaliação:

Os alunos apresentarão seminários em equipes, participarão das discussões decorrentes das apresentações dos colegas e produzirão um texto em sala no último dia de aula, a respeito das discussões havidas. Será feita uma nota a partir da composição (média aritmética) dos três critérios de avaliação. Os critérios levarão em conta a capacidade de sintetizar as idéias dos autores e debate-las, dentro do contexto dos temas abordados na disciplina. Propõe-se que os grupos de seminários promovam uma discussão interna do texto, e que programem uma apresentação que não divida tão esquematicamente as tarefas entre os membros da equipe.



Seminário 1
A música da modernidade européia – século XIX
07/03 – 8:00 às 9:45

WAIZBBORT, Leopoldo. “Introdução” in WEBER, Max. Os fundamentos racionais e sociológicos da música. São Paulo: EDUSP, 1995. [1921]. Tradução, introdução e notas de Leopoldo Waizbort. Prefácio de Gabriel Cohn. p. 23-51.



Seminário 2
O fim do tonalismo: as vanguardas na virada do século
07/03 – 10:15 às 12:00

GRIFFITHS, Paul. “Prelúdio”, “Romantismo tardio”, “Nova harmonia” e “Novo ritmo, nova forma” in A música moderna. Uma história concisa e ilustrada de Debussy a Boulez. Rio de Janeiro: Zahar, 1987. p. 7-48.



Seminário 3
Rio de Janeiro: música popular numa capital que se moderniza
07/03 – 13:00 às 14:45

SEVCENKO, Nicolau. "A capital irradiante" in História da vida privada no Brasil. Volume 3 - República: da Belle Époque à era do rádio. São Paulo: Cia. das Letras, 1999. p. 515-619.



Seminário 4

O jazz e a tradição musical

07/03 – 15:15 às 17:00

ADORNO, Theodor. “Moda sem tempo sobre o jazz”.

HOBSBAWN, Eric. “O público” e “Prefácio à edição de 1989”. In História social do jazz. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990. [1962]. p. 11-26 e 239-269.


Seminário 5

Viciados em repertório: a execução de música do passado

14/03 – 8:00 às 9:45

KERMAN, Joseph. “O movimento da performance histórica”. In Musicologia. São Paulo: Martins Fontes, 1987. p. 255-306.


Seminário 6

Uma ecologia do som. Ou porque vanguarda?

14/03 – 10:15 às 12:00

FERRAZ, Silvio. “Repetição e não-repetição”. In Música e repetição. A diferença na composição contemporânea. São Paulo: EDUC/FAPESP, 1998. p. 33-69.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Comemoração

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No ranking de hoje, estou em 608º lugar entre 1762 blogs cadastrados no blogômetro. O ranking é atualizado diariamente, com base na média de acessos auditados pelo sitemeter.

Cadastre o seu blog também...

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Uma dica - Amadores do futebol

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Conheço o diretor, e digo que só pode ser coisa boa. Eduardo Baggio é professor do curso de cinema da FAP (Faculdade de Artes do Paraná).

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A espiã

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Para mim, o melhor filme existente sobre a chamada "2ª guerra mundial".

É uma produção belgo-germano-neerlandesa. Dirigida por Paul Verhoeven, o mesmo de Robocop, Instinto selvagem e Show girls.

Tá bom, o currículo do diretor não é lá essas coisas, mas, acreditem, dessa vez ele acertou pra valer. Pode-se creditar a melhor qualidade do filme às condições e equipe de produção. Afinal, mesmo um bom diretor tem que dançar conforme a música quando trabalha em Holywood. Quando produz na Europa pode se dar ao luxo de fazer coisa muito melhor.

O filme é bem-feito. Bons atores (para mim desconhecidos), boas locações, cenários, figurinos. Tudo perfeito. Excelente trilha sonora. Como obra de arte ou como cinema autoral é mediano. Como produção comercial é alto-nível.

Mas não é disso que quero falar.

O motivo por que considero um filme excepcional é por causa da abordagem histórica. É o primeiro que vejo sobre o tema que não apresenta mocinhos e bandidos tão bem divididos entre os alemães e os aliados. Em A espiã tem bondade e maldade de todos os lados. Traidores entre a resistência holandesa e homens de bom coração entre os nazistas. Cretinos que recebem créditos como heróis e heróis que terminam execrados como vilões. Judeus vítimas de perseguição e preconceito até dos que se propõem a protegê-los.

É um filme de espionagem, sexo, tortura e assassinato. Vai te deixar "com o coração da boca", vai te revirar o estômago.

Mas a guerra foi assim mesmo. Acho que ainda tem muita sujeira debaixo do tapete, e o filme mexe bastante com isso. A demonização dos nazistas serviu para muitas coisas. A glorificação dos aliados também. Mas na vida real as coisas foram bem mais misturadas, como poderá descobrir quem assiste o filme.



O mote para o filme é uma visita a um kibutz, onde uma holandesa reencontra uma judia que conheceu dos tempos de guerra. A partir daí, o filme passa como um flash back da protagonista, que tenta escapar pela fronteira com a Bélgica mas não consegue, e termina como espiã da resistência dentro do quartel nazista. O ponto forte do filme é a maneira crua e ao mesmo tempo humana como retrata o sofrimento dos judeus, que esteve longe de terminar com o fim da guerra.

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Bem-vindo de volta

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Depois de oito meses, um dos maiores historiadores brasileiros voltou a postar em seu blog.

E obrigatoriamente volta ao meu blog-roll.

Aliás o retorno é com um ótimo texto sobre o AI-5. O texto foi escrito em 1994 - mas é espantosamente atual.

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sábado, 21 de fevereiro de 2009

Cadê o cabaço?

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O Coritiba, que ainda não tinha perdido no ano, e que tinha sofrido apenas 1 gol em 6 rodadas do estadual, acaba de perder de 3 a 0 do Eng. Beltrão.

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Acho que em relação ao ano passado o time está um pouco melhor. Reforçou a zaga com Claiton e com Pereira. Os volantes já eram fortes. Os meias terão o reforço de Pedro Ken que volta de um período de 8 meses afastado, Dinélson (que chegou ano passado mas ainda recuperando de contusão) e Renatinho, que voltou de empréstimo ao Londrina.

O único setor em que o time ficou pior é o ataque. Keirrison era o único atacante que prestava. Saiu. Agora estamos sem atacante. Tanto que a boa defesa (1 gol em 6 jogos até ontem) é compensada por um ataque mixuruca com apenas 4 gols em 7 rodadas. Hugo, Marco Aurélio e Ariel Nahuelpan esforçam-se na disputa para ver quem é mais irrelevante.

O ano do centenário vai ser sofrido para a torcida. (Ou ainda temos esperança de que a diretoria tire coelho da cartola numa boa contratação? Com o técnico não deu certo.)

(...)

Sobra o consolo de ver o tropeço do Flamengo. Ontem o site do Globo Esporte dava como favas contadas a vitória do rubro-negro sobre o azarão Resende. O título dizia algo do tipo "Flamengo venceu 4 das últimas 6 edições da taça Guanabara".

Mas é um time que sabe se superar. E rapidamente tornar obsoleto um post como esse. O Flamengo perdeu de 3 a 1 do Resende em pleno Maracanã, e está fora da final da taça Guanabara. Ainda pode vencer a taça Rio e o Campeonato Carioca. Mas o jogo de hoje só não será tão marcante na história do Flamengo por que é o tipo de tragédia que está virando corriqueira.

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Chávez vitalício

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Será que nunca faremos senão confirmar
A incompetência da América Católica
Que sempre precisará de ridículos
Tiranos

(Caetano Veloso, em alguma música que não me lembro o nome)

(...)

Chávez venceu o plebiscito com a proposta de abolir a limitação do número de reeleições. Significa que pode se reeleger infinitas vezes, tornando-se algo como um Fidel Castro de novas latitudes. Desde já é "pré-candidato" a reeleger-se em 2012.

Certamente muita gritaria já foi feita na imprensa. Não vou nem me dar ao trabalho de conferir. Aqui vou escrever o contrário do que imagino que saiu (ou sairá) na Veja. E também ao contrário do que pode sugerir o mote de Caetano Veloso, que coloquei como epígrafe deste post.

(...)

Chávez pode perpetuar-se no poder.

Isso é anti-democrático?

Bem. Se for, não é um caso único. Lembremos dos latino-americanos Fujimori (Peru), Menem (Argentina) eFHC (Brasil), que na década passada alteraram as constituições de seus países para permitir a própria reeleição. Mas ao invés de apelarem para plebiscitos (a maior manifestação democrática que se conhece), preferiram aprovar as alterações direto nas casas parlamentares de seus países - onde não precisaram enfrentar debates nem campanhas políticas, bastando molhar mãos aqui e ali.

Diga-se de passagem que a lisura do plebiscito venezuelano foi reconhecida pela oposição, que fez campanha contra.

(...)

Mas comparar com outros exemplos latino-americanos não adianta. Afinal, aos nossos próprios olhos e diante de europeus e norte-americanos bonachões, somos e seremos sempre republicas de banana.

Vejamos então o caso das "democracias" européias. Algumas continuam convivendo com a excrecência que são as monarquias em pleno século XXI. Em tese é possível, por exemplo, a rainha da Inglaterra destituir o primeiro-ministro eleito da Austrália (não sei se isso já aconteceu alguma vez). Ela também tem poder sobre o arcebispo de Cantuária (uma espécie de papa da igreja Anglicana), e portanto exerce autoridade direta sobre a igreja Anglicana em todo o mundo. A Inglaterra mantém também outra excrecência, que é a câmara vitalícia dos lordes.

Entre os governantes eleitos, não fica impossível seqüências bastante longas de reeleição. As legislações eleitorais européias favorecem o continuísmo. A única diferença em relação à Venezuela atual de Chávez é que há partidos mais fortes e organizados participando da disputa.

Helmut Kohl governou a Alemanha Ocidental por 16 anos. Teve grande atuação na perestroika russa e foi o governante da anexação da Alemanha Oriental. Saiu do governo envergonhado com investigações de corrupção eleitoral, que levaram ao providencial suicídio do tesoureiro de seu partido, a CDU (Democrata-Cristão).

A Itália é conhecida pela instabilidade política, com muitos dos gabinetes durando menos de um ano. Mas Betino Craxi governou por mais de uma década (nos anos 70). Posteriormente, descobriu-se o maior escândalo político italiano, que foi a ligação muito forte do governo Craxi com a máfia. O caso foi tão grave que levou ao fim do partido socialista. Os que escaparam da ala podre do partido juntaram-se aos comunistas para formar o Democráticos de Esquerda, um dos principais partidos italianos hoje.

Vale lembrar que o outro italiano que mais tempo tem passado no governo é o atual primeiro-ministro Sílvio Berlusconi. Para entender quem é este sujeito precisamos imaginar que o Roberto Marinho fosse, além de dono da Globo, dono do Flamengo. E se elegesse e reelegesse presidente do Brasil. Com o detalhe de uma legislação eleitoral que proíbe a candidatura de quem possua empresa de TV.

Não custa lembrar ainda, a "democracia" norte-americana, cujo sistema eleitoral diplomou como presidente o candidato que perdeu as eleições. Bush Jr deve entrar para a história como o pior presidente dos EUA, responsável direto por lançar o país numa das mais graves crises de sua história, com um governo marcado pela tortura, prisões arbitrárias, interferência no trabalho da imprensa e a vigilância secreta de diversos cidadãos, tudo em nome da política anti-terrorismo.

(...)

Pensando nos exemplos acima, percebe-se que há muito telhado de vidro na vizinhança.

Criticar o autoritarismo de Chávez é um discurso fácil. Que esconde questões políticas mais amplas.

No fim das contas, alguem brande a palavra "democracia" aqui, para apoiar autoritarismos convenientes alhures. Tudo depende de quais interesses estejam sendo defendidos.

(...)

No mais, quem entende mesmo da política venezuelana é o Maurício Santoro. Recomendo o que ele já escreveu sobre o assunto:

Yo, el supremo

Uma década de Chávez

Eleições na Venezuela

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O livro de minha vida

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Este texto responde a uma iniciativa do blog O fio de Ariadne. É uma blogagem coletiva, ou, uma proposta para que vários blogues escrevam sobre este tema no mesmo dia.

(...)

Para mim é um tema difícil. Não porque tenha problemas com os livros, pelo contrário. Trata-se da dificuldade que tenho em encontrar um que eu possa dizer que seja "o livro de minha vida".

(...)

Alguns parentes e amigos que tenho certamente esperam que eu diga que o livro de minha vida é a Bíblia. Talvez. Foi certamente o volume que eu mais manuseei. Tive vários exemplares. Passei parte significativa de minha vida lendo-o e relendo-o. Ganhei o primeiro com 5 anos de idade, já alfabetizado.

O problema é que sempre foi um livro muito mal lido por mim. Aliás, nem um livro é. É uma biblioteca. De textos muito antigos. Dos quais não se sabe autor nem data de produção. Um livro que sempre me proibiram de ler com minha própria cabeça, com minha própria imaginação. Por que sempre tinha um "sábio" de ocasião para ensinar como ele devia ser interpretado corretamente. Por que tem um véu espesso, de quase 2 mil anos de dogmas a cobrir-lhe os sentidos. Porque o fundamentalismo no qual eu fui educado insiste em significá-lo como se ele tivesse sido escrito hoje, de autoria direta de um Deus pessoal.

Por isso, descarto essa opção.

(...)

Sobra-me buscar entre os livros de verdade, que li de verdade.

(...)

Os três mosqueteiros, de Alexandre Dumas, foi o primeiro que li numa sentada. Foi uma tarde. Eu estava na 5ª série, e acho que foi a primeira vez que eu fui na biblioteca por conta própria, para pegar um livro que eu mesmo escolheria. A leitura foi tão fascinante que eu comecei depois do almoço, e só larguei o livro quando terminei, lá pelas 5 da tarde.

Foi o livro de minha vida? Não sei. Li muitos outros do mesmo gênero quando estava no 1º grau, todos igualmente fascinantes e significativos na minha experiência de leitor. Outros de Dumas. Mais Ivanhoé, Moby Dick, A ilha do tesouro, Robin Hood, etc, etc, etc.

(...)

Após os exercícios infantis, vieram as leituras juvenis - a busca do mundo adulto. E aí tenho pelo menos duas leituras muito significativas, duas sagas de tirar o fôlego. Os miseráveis, de Victor Hugo. E os 7 volumes de O tempo e o vento, de Érico Veríssimo. Coisa pra ler sem largar. Daquelas leituras mais fascinantes que qualquer filme.

Mas ainda presas ao fio da narrativa. É livro para contar uma história.

(...)

Nada mal com isso, mas chega uma idade que começamos a descobrir que literatura pode ir além disso. Pode ser ao mesmo tempo uma experiência com a linguagem, uma tentativa de domar a fera, explorar caminhos novos, desvendar outros mundos.

Aí, não tenha dúvidas, os que me deram maior impacto na vida de pretendente a intelectual foram o Grande sertão, veredas de Guimarães Rosa e o Cem anos de solidão de Gabriel Garcia Marques.

(...)

Depois disso vem aquela fase em que você tem que ganhar o pão, e sobra pouco tempo para a literatura. Especialmente quando você trabalha o tempo todo lendo textos acadêmicos.

Mas livro de ciências humanas também é livro. E o que mais me marcou talvez seja o primeiro que fichei: Ideologia da cultura brasileira, de Carlos Guilherme Mota. Levei uns 6 meses para conseguir sintetizar as idéias do autor e fazer minhas anotações. Já quando estava cursando pós-graduação (tá, eu sei que devia ter aprendido isso na graduação, mas conta para os meus professores de então).

Este foi, provavelmente, o livro que mais abriu minha cabeça para as idéias que depois vieram a ser meu mestrado e meu doutorado, e com as quais opero muito hoje como professor de disciplinas ligadas à história da cultura brasileira.

(...)

Recentemente venho tentando recuperar o velho prazer das leituras inúteis. Aquelas que são apenas para deleite pessoal, e não para algum compromisso de trabalho ou de pesquisa. (Apesar de que essa é uma área em que é realmente difícil separar trabalho de lazer.)

Talvez eu não possa enquandrar nesta categoria o Macunaíma (Mário de Andrade), nem o Gabriela cravo e canela (Jorge Amado) - ambos lidos por um misto de devoção, prazer e interesse acadêmico.

Mas certamente posso colocar aqui os que li por nada, em uma rede, nas férias. Como De vagões e vagabundos, de Jack London, ou O mandarim, de Eça de Queiroz.

(...)

Então digo que não sei qual é o livro mais importante para mim. Tenho certeza que estou esquecendo algum que foi muito marcante. E certamente, se eu escrevesse este texto amanhã e não hoje, escolheria outros que não estes livros.

(...)

Tudo bem. O que importa mesmo, é que ainda estou em busca do livro de minha vida.

(...)

P.S. Leia também, sobre o mesmo assunto, outro texto aqui do blog:

Cinco livros ótimos e um para apodrecer na estante


P.S.2 A autora da iniciativa já escreveu seu texto:

Blogagem coletiva - O livro de minha vida - Cem anos de solidão

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Concursos para doutor no Departamento de História da UNB

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Janela de oportunidades!

Muitas vagas para Professor Doutor em regime de dedicação exclusiva no Departamento de História na UNB.

As disciplinas para as quais haverá vaga: História Contemporânea, História do Brasil (colônia), História da América, História da África, Teoria e Metodologia da História (3 vagas), Teoria e Metodologia da História - História do Brasil, História Cultural do Brasil, Teoria e Metodologia do Ensino de História (2 vagas), História Antiga, História Medieval, História Moderna, História do Brasil.

Coloquei acima os links que encontrei. Há muitas vagas em outros departamentos. A lista completa de vagas está aqui.

Quinze vagas ao todo. Acredito que nem durante a fundação da UNB houve tantas vagas abertas simultaneamente. É uma oportunidade rara num país onde sobram doutores desempregados (ou trabalhando em áreas onde sua formação não é aproveitada).

Na década de 1990 o Brasil avançou muito na formação de pessoal acadêmico qualificado, alcançando níveis muito altos de formação de doutores. Faltava uma política de absorção desse pessoal altamente qualificado. Parte deles encontrou espaço na fabulosa expansão do ensino superior privado. Mas ali, com honrosas exceções, as condições de trabalho são péssimas e o ambiente acadêmico pior ainda. Prefere-se um professor com menos titulação, mais barato para a instituições que transformaram o ensino superior em negócio lucrativo (e nada além disso).

Nas universidades públicas um congelamento de vagas. Durante os 8 anos de FHC só foram extintas vagas de professores que se aposentavam. Aumentaram os cursos e os alunos, mas o quadro de professores foi reduzido. Sobrecarga para os que ficaram. Falta de perspectiva para os que se doutoravam.

Antigamente circulava uma piadinha de que para abrir uma vaga na universidade pública era preciso esperar alguém morrer. Nos anos FHC, quando um professor morria a vaga era extinta.

Agora o MEC preparou o maior programa de expansão do ensino superior público no Brasil. Dá recursos para as universidades públicas, com exigências de fortes contrapartidas. Principalmente a ampliação de vagas preferencialmente nos cursos noturnos e nas licenciaturas, e a redução nas taxas de evasão e reprovação. Contraria a forte tendência elitista da universidade no Brasil. Uma tentativa de quebrar a "cultura dos bacharéis", onde a formação cultural é mantida como demonstração de status de uma elite. Passo importante para a democratização do país.

Além da UNB, muitas outras Universidades Federais estão abrindo vagas por este Brasil. Basta procurar nos sites dos departamentos de concursos.

2009 é o ano para está com o diploma de doutor na gaveta, esperando uma oportunidade.

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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

III Simpósio Internacional sobre religiosidades, diálogos culturais e hibridações

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Tem havido o despertar de um forte interesse por entender o fenômeno religioso. Depois de dois séculos de avanço do secularismo, com a religião colocada na berlinda. O materialismo, o cientificismo, a ilusão do progresso contínuo, a esperança de que a laicização traria um mundo melhor após as guerras religiosas européias. Os problemas da hipermodernidade capitalista e a crise de seu antípoda do "socialismo real" contudo levaram a uma nova hipertrofia do sagrado, da religiosidade, da subjetividade.

De tal modo que até mesmo entre intelectuais a religião deixou de ser tabu. E começa a ser objeto de pesquisa. Entender o fenômeno religioso é fundamental para entender as pessoas e o mundo.

Por isso uma iniciativa como a do simpósio promovido pela UFMS, em Campo Grande, é muito bem vinda. O simpósio ocorrerá entre 21 e 24 de abril. A página oficial do evento está aqui. E os temas já definidos para os simpósios estão aqui. Sobressaem-se as temáticas ligadas à relação entre religiões e cultura, religiões e identidade.

Já sei que não poderei estar lá, mas fico aqui morrendo de curiosidade para saber como seria...

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Indignação

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"Eu não sei o que você quer dizer com “espírito cristão, compassivo e benigno”, mas se tenho um lampejo de intuição quanto a isso, digo que foi exatamente o que faltou por parte do resto do mundo e da Cristandade para com o povo judeu e, atualmente, para com Israel. Sofremos o maior massacre sistemático durante toda a história, fomos alvo da maior campanha genocida, fundamos um Estado que não pode depor armas nem para comer ou dormir, sofremos atentados e agora lançam 10.000 foguetes contra as cidades do sul de Israel… e ninguém diz nada até reagirmos."

De um blogueiro judeu, ao ser exortado a ter compaixão cristã.


Coloco essa citação aqui como um contraponto à imensa (e desproporcional) indignação levantada na blogosfera contra a ação militar em Gaza.

Cerca de mil mortos em uma ocupação militar. Dá para falar em "genocídio", ou "extermínio"? Por mais que eu esteja solidário com a desgraça do povo palestino, não há que corroborar este tipo de exagero, nem esquecer a situação do Estado de Israel, nem esquecer quem é o Hamas.

Certamente o caminho para a paz não passa pela luta armada do Hamas. Se posso dizer que a reação de Israel não foi uma boa estratégia, não posso dizer que ela não foi legítima.


A título de comparação, alguém pode pesquisar as mortes causadas pelas tropas ocidentais no Afeganistão ou no Iraque. Ou, talvez, levantar o número de pessoas mortas pela polícia no Brasil em 2008. Ou, talvez, lembrar aos europeus sobre suas guerras, por exemplo, nos Bálcãs. Ou a ação russa na Chechênia ou na Geórgia.


É sempre fácil apontar o dedo para o outro. Principalmente quando isso serve para ocultar os próprios problemas...

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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Blogagem coletiva - o livro de minha vida

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O blog Fio de Ariadne está promovendo uma interessante blogagem coletiva. Eu já pedi para fazer parte.

Se você também tiver interesse clique na imagem para ir ao post onde está a proposta. O dia da blogagem será 17 de fevereiro.


Outras blogagens coletivas das quais este blog já participou:

Hoje é dia de Cecília

Unite to reunite refugees

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