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As férias das crianças são, às vezes, momentos de crise para os pais. Como arranjar atividades para ocupar os pimpolhos no período, principalmente quando os pais não podem tirar férias?
As coordenadoras do colégio dos meus filhos escreveram um texto para os pais, justamente a partir destes dilemas. Reproduzo alguns trechos muito interessantes:
As perguntas que fazemos sobre o como ocupar esse tempo, estão arraigadas a uma culura de produção, que tem como focos a quantidades e a velocidade recorde com que tudo acontece. O tempo onde não se "produz" preocupa, incomoda, pois, como adultos, sofremos o reflexo de uma sociedade consumista na qual "tempo é dinheiro"! Mesmo criticando este contexto, muitas vezes olhamos para nossos filhos e sugerimos que aproveitem o mês de férias para colocar tudo em dia, como fazemos com o nosso tempo livre, nos preparando para outros tempos e não vivendo o tempo que nos é presenteado. Preparar-se? Antecipar? Colocar em dia?
(...) O mundo precisa de pessoas que dêem férias para tudo que funciona com o piloto automático, dando espaço para as manidestações criativas. Pessoas com habilidade de investigação, que busquem a construção de novos significados, onde o investimento do tempo esteja a serviço de um pensamento crítico, criativo e cuidadoso. Crítico no conhecimento, criativo na atuação e cuidadoso com a humanidade.
(...)
À nós, adultos, cabe lembrar que estas habilidades são desenvolvidas, também, por meio da literatura, da música, do teatro, do cinema, de encontros sem cronômetro, de olhares suspensos, de orelhas que não se cansam de escutar, do bolo saboreado, do almoço mais demorado, do computador desligado, da televisão assistida a dois, de um jornal de família apresentado, de um mundo de injustiças também conversado.
Interrogar, opinar, pensar em contrapontos, criar novas possibilidades de relações com as pessoas e com o mundo, coloca em férias permanentes a passividade, a repetição e o desencontro e convoca para ação sujeitos ativos, marcados pelos valores do encontro, da solidariedade, do compromisso ético!
Antoniella Cavassin e Danielle Barriquello
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