quinta-feira, 30 de abril de 2009

Stravinski - Sagração da Primavera

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Esta peça é uma das mais importantes obras musicais já escritas. Os críticos e historiadores são unânimes em considerá-la uma obra de grande impacto, quando de sua estréia em 1913. O compositor Igor Stravinski (1882-1971) é considerado por muitos como o compositor mais significativo do século XX. A Sagração é o terceiro balé de uma série composta para ser encenada em Paris, pela companhia Os balés russos de Diaghilev. Os primeiros dois foram O pássaro de fogo e Petrouschka ("Pedrinho" em russo).

É a obra mais inovadora de Stravinski, no sentido de rompimento com a tradição musical do século XIX. A obra é atonal (não se baseia nas tonalidades maior e menor que imperaram na música ocidental desde o início do século XVIII), foge à rítmica tradicional do pulso e do compasso e representou uma grande inovação em relação às técnicas de orquestração do século XIX (a escolha dos instrumentos musicais que tocam cada parte - Stravinski privilegia os sopros, e usa as cordas quase como instrumentos de percussão).

Para o público de balés, acostumado a obras mais tradicionais (em termos de construção harmônica, orquestração e, principalmente, elementos rítmicos) - como os balés de Tchaikovski, a encenação da obra de Stravinski foi um escândalo.

Depois da composição desta obra, Stravinski tomou rumos mais tranqüilos em seu estilo de composição, passando a uma fase chamada neo-clássica (décadas de 1920-1950), onde retomava com ironia os procedimentos harmônicos setecentistas. Somente na década de 1950 o compositor voltaria a escrever obras tão radicais como a Sagração.

Mesmo sendo uma obra de 1913, a Sagração continua a ser uma obra radical, moderna, e - porque não dizer - continua escandalizando o público não acostumado a expressões artísticas de vanguarda.


Existem miríades de gravações desta peça. Mas hoje a maravilha que é a internet e a disponibilização de trabalhos através dela nos permite algumas descobertas. A San Francisco Synphony e seu regente Michael Tilson Thomas fizeram um trabalho educativo. Clicando aqui você irá para a página em que a obra de Stravinski é destrinchada. Escolhendo a opção A riotous premiere você acessa um documentário (em inglês) sobre os envolvidos na criação da obra: Stravinski (música), Nicolas Roerich (argumento), Nijinski (coreografia), Diaghilev (produção). Escolhendo a opção Explore the score você acompanha a execução de trechos enquanto observa a partitura orquestral em animação.



Também é muito interessante assistir à obra completa - música e coreografia. Tempos atrás, fez-se uma reconstituição da coreografia original de Nijinski, com base nos depoimentos de uma dançarina que fez parte da encenação de 1913. Este balé é realmente uma experiência impressionante, com o vigor da música correspondido por uma coreografia igualmente poderosa. Abaixo os vídeos no youtube, em três partes:









Tanto o trabalho da San Francisco Synphony como os vídeos do youtube descobri através do excelente verbete da wikipedia em inglês.

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Um comentário:

Anônimo disse...

O link dos videos não funcionam.