quarta-feira, 15 de abril de 2009

Um ranking do futebol brasileiro (III) - Campeonato Brasileiro 1980-1989

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Seguindo o que já venho fazendo aqui no blog:

Um ranking do futebol brasileiro (I) - Taça Brasil1958-1969

Um ranking do futebol brasileiro (II) - Campeonato Brasileiro 1971-1979


Aos desavisados informo que sou uma das maiores autoridades sobre futebol, torcedor desde criancinha, aspirante a técnico da seleção brasileira, estatístico de boteco, historiador de ofício (mas não dedicado ao tema). Na verdade sou professor de música, o que nao vem ao caso. Pois todos vão ver que meu ranking é infalível.

5 pontos para o campeão.

2 pontos para os outros três que chegaram à semifinal

1 ponto para quem esteve entre 5° e 12°


Os dados que utilizo são os disponíveis na wikipedia.


Que não venha nenhum flamenguista chorar aqui, mas em 1987 alguns grandes clubes resolveram organizar uma liga independente e não disputaram o campeonato da CBF. Tudo bem, também acho a CBF uma merda, os campeonatos desorganizados e tal. Então, se os chamados "13" continuassem a organizar sua liga, passariam a figurar nas estatísticas. Mas não. Vieram pedir penico e voltaram à palhaçada da CBF em 1988. São tão palhaços quanto, e não merecem consideração nenhuma. E desde já esclareço que não sou pernambucano e que meu time está entre os que birgaram com a CBF em 1987.


Para a década de 1980 o ranking fica assim:


1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 total
Flamengo 5 1 5 5 1 1

1 1 20
Vasco 1 1 1 1 2 1

1 5 13
São Paulo 1 2 1 1

5
1 2 13
Grêmio 1 5 2
2


2 1 13
Fluminense 1 1 1
5
1
2
11
Atlético MG 2

2
2 2
1 1 10
Sport
1 1 1
1
5 1
10
Coritiba 2


1 5

1
9
Corinthians 1
2 1 2
1

1 8
Bahia




1 1
5
7
Santos 1 1 1 2 1



1 7
Internacional 2 1


1

2
6
Guarani

2


2 2

6
Cruzeiro 1




1
1 2 5
Portuguesa



1
1 1 1 1 5
Bangu

1

2
2

5
Atlético PR


2 1

2

5
Botafogo
2






2 4
Ponte Preta 1 2


1



4
América RJ


1 1
2


4
Palmeiras


1

1

1 3
Goiás


1




1 2
Vitória
1




1

2
Inter de Limeira





1 1

2
Criciúma





1 1

2
Ceará




1
1

2
Brasil de Pelotas




2



2
Santo André



1




1
Operário MS
1







1
Atlético GO






1

1
Rio Branco ES






1

1
Treze PB






1

1
Náutico



1




1
Anapolina

1






1
Joinville




1



1
Ferroviária SP


1





1
São José SP

1






1


Certamente algum dia eu irei somar tudo e chegar ao ranking definitivo e inapelável.


Por enquanto, posso adiantar que, se fosse para fazer uma 1ª divisão com os 20 principais clubes do campeonato nacional do período entre 1958-1989 ficaria assim:


1958-69 1971-79 1980-89 total
Santos 29 5 7 41
Palmeiras 12 19 3 34
Internacional 1 24 6 31
Vasco 3 13 13 29
Flamengo 2 6 20 28
São Paulo
12 13 25
Atlético MG
13 10 23
Cruzeiro 7 10 5 22
Grêmio 3 6 13 22
Botafogo 8 7 4 19
Bahia 9 3 7 19
Fluminense 2 4 11 17
Corinthians
9 8 17
Coritiba
6 9 15
Guarani
8 6 14
Sport 1 2 10 13
América RJ 1 2 4 7
Atlético PR
2 5 7
Náutico 6
1 7
Portuguesa
2 5 7

Em breve as estatísticas das décadas de 1990 e 2000.

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terça-feira, 14 de abril de 2009

Sigismund Neukomm

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Foi um importante compositor que viveu no Rio de Janeiro durante o período da corte joanina. É apontado por Maurício Monteiro como um dos integrantes da "trindade tropical", juntamente com José Maurício Nunes Garcia e Marcos Portugal.

Para uma introdução à biografia do músico austríaco, recomendo o verbete que estou ajudando a construir na wikipedia.

Aqui vou dar apenas algumas dicas interessantes para ouvir na internet a música deste importante mas pouco conhecido personagem, tudo em vídeos disponíveis no youtube.

Em duas partes, os vídeos da execução do Libera me Domine que Neukomm compôs para integrar o programa de concerto no qual foi estreado no Brasil o Requiem de Mozart, em 1819.







Cena da ópera Misera, dove son? de 1804. O vídeo foi montado com imagens ilustrativas, a partir da obra gravada neste CD.




E mais um víedo, com trecho de uma peça para flauta e forte-piano, composta no Brasil. A obra também faz parte deste CD gravado por Rosana Lanzelotte e Ricardo Kanji para a Biscoito Fino.




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sábado, 11 de abril de 2009

A páscoa cristã

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Reza a tradição que a Páscoa foi uma festa judaica instituída por ocasião do Êxodo. Segundo a narrativa do Pentateuco, os hebreus eram cativos no Egito, e seu Deus os libertou assolando os escravizadores com pragas. A última era a morte dos primogênitos, da qual os lares judeus escapariam matando um cordeiro e aspergindo sangue nos umbrais. O Anjo-do-Senhor passaria reto pelas casas que tivessem o sinal. O cordeiro imolado seria comido numa refeição ritual, a qual incluiria os pães sem fermento e as ervas amargas.

Acontece que esses relatos nunca pretenderam ser "históricos". São símbolos religiosos, rituais. Não se sabe se foram escritos no século VIII ou no século V antes da era cristã. Acredito que os hebreus escravos não teriam cordeiros suficientes para uma celebração deste tipo no Egito. Trata-se, na verdade, de instituir a refeição ritual como memória de um momento fundador do passado de um povo - mesmo que ele não tenha existido. Isso não importa.

De qualquer forma, celebrar a páscoa tornou-se um dos ritos mais importantes do judaísmo.

Mas houve um tempo em que um certo herege, um galileu capaz de amealhar seguidores por todos os lados, entrou em Jerusalém com alguns discípulos. Com eles celebrou uma ceia de páscoa sem cordeiro, somente com pão e vinho. Anunciou aos discípulos que morreria naqueles dias, e recomendou-lhes que tomassem aquela refeição ritual em sua memória sempre que se reunissem.

O galileu foi crucificado exatamente nos dias da páscoa. E os seus seguidores passaram a celebrar sua memória por ocasião da festa judaica. Com o passar dos anos, à medida que a presença do Cristo ia ficando distante no tempo, começam a surgir e ser discutidas idéias a respeito da ressureição e da divindade daquele a quem seguiam. Certo era que para os primeiros discípulos ele estava muito vivo, apesar de ter sido morto. Sua morte tinha gravado com fogo seus ensinamentos e seu exemplo nos corações daqueles pobres palestinos.

Algumas gerações depois, aquele movimento espontâneo, radical e herege que tinha sido a comunidade dos discípulos começava a se institucionalizar. Agora um bispado monárquico, não mais uma liderança plural. Agora uma ortodoxia e textos sagrados pelos quais morrer, não mais apenas uma comunidade de fé e amor. Ao invés do igualitarismo radical de antes, hierarquias. Os evangelhos vão sendo escritos entre o final do primeiro século e o início do segundo - quatro foram aceitos como canônicos pela magistratura da igreja, os muitos outros existentes foram recusados por vários motivos. Conhecê-los (o que já é possível hoje) diz muito sobre essa igreja que surgia.

Do século IV ao VIII os concílios da igreja definiram a doutrina oficial e congelaram uma memória do passado a ser preservada conforme seus interesses institucionais.

Cristo totalmente divino e humano concebido virginalmente do Espírito Santo morreu e ressucitou ao terceiro dia e foi para a destra do pai compondo os três uma única pessoa divina chamada de trindade.

Assim, cristalino e claro.

Questione qualquer um desses pontos e serás morto. Porque desde Agostinho o magistério da igreja é também apoiado pela força do Estado e os hereges tem que ser submetidos ou mortos.

No século XV, quando os Otomanos tomaram Constantinopla, a Itália começou a receber refugiados da igreja grega. Fundam-se academias e o grego antigo é descoberto, passa a ser ensinado. Os ignorantes latinos começam a descobrir a igreja antiga e percebem o quanto se afastaram dela. O lema dos humanistas passa a ser Ad fontes. As escrituras e os pais da igreja antiga, se possível depurados do entulho medieval. Erasmus publica um Novo Testamento grego, a partir do qual Lutero faz sua tradução para o alemão. O motivo? A Vulgata, tradução latina coordenada por Jerônimo no século V era a única versão aceita pela igreja. Mas continha erros grosseiros.

Lorenzo Valla, secretário do papa começou a estudar documentos oficiais para determinar sua autenticidade. Demonstrando a falsidade da Doação de Constantino inaugurou a crítica documental. Disciplina fundamental para o surgimento da história como disciplina acadêmica no século XIX.

A mesma disciplina histórica que começou a ser aplicada pelos luteranos à crítica das Sagradas Escrituras, demonstrando que não podiam ser aceitas como documento histórico confiável, pelo menos não na medida em que vinham sendo usadas pela tradição. Começaram a ser determinados os períodos de confecção dos livros bíblicos e as autorias, processo até hoje em andamento. A veracidade factual dos milagres foi contestada.

Hoje a Bíblia já pode ser lida como o que realmente é. Uma coleção de livros de testemunho, escritos em diferentes épocas, sem uma versão oficial, sem autores definidos e sem qualquer pretensão factual ou científica. Para ser lido como literatura. Para ser tido como inspiração.

No século XX uns teimosos sulistas dos EUA, e os campos missionários sob sua influência erigiram uma coleção de fundamentos inegáveis da fé. Entre os quais o nascimento virginal, a divindade e a morte e a ressureição de Cristo. Os mesmos dogmas que a igreja romana também sustenta com base na autoridade não das Escrituras, mas de uma pretensa magistratura derivada do apóstolo Pedro. Mas os fundamentalistas acrescentaram mais uma novidade - a iminência da volta de Cristo, que passou a ser também o principal tema de seus livros e de sua pregação radical e intolerante.

Fica difícil celebrar o Cristo vivo, quando tanto entulho institucional já se sobrepôs ao signficado de renovação que ele trouxe há dois mil anos. Tem muita gente tentando fazer isso - jutemo-nos a eles.


P.S. Sobre os modos de ler a Bíblia recomendo, de novo, o texto na Trilha: Reticências. Também já está lá uma leitura da Páscoa: As três páscoas.

P.S.2 De certa forma este texto aqui pode ser uma resposta a outro do Catatau: A páscoa e a radicalidade do cristão.

P.S.3 No Soda cáustica, algo sobre a morbidez com que se celebra a paixão de Cristo: A acusação.

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quinta-feira, 2 de abril de 2009

O mesmo amor a mesma chuva - e o caso da imprensa argentina

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Li um post do Idelber Avelar sobre o projeto de lei que muda a regulmantação da atividade da imprensa na Argentina e me lembrei de um filme que já assisti faz um tempo: O mesmo amor a mesma chuva.

O filme já tem uma bela resenha no antigo blog do Maurício Santoro. O diretor, Juan José Campanella, estudou cinema nos EUA, dirigiu séries de TV e acertou a mão no cinema principalmente com O filho da noiva (2001), com o mesmo Ricardo Darín no papel principal.

O mesmo amor a mesma chuva, de 1999, não é, no meu entender, tão bom quanto O filho da noiva, que vi no cinema e que fez merecido sucesso (se você ainda não viu não perca tempo). Mas é um filme muito interessante e bem feito, que valeu muito a pena de ser assistido.

As relações humanas são muito bem exploradas no filme (acho que isso é a qualidade que mais me atrai em qualquer filme, talvez junto com a qualidade estética de fotografia, direção, trilha sonora, roteiro, etc.). Não apenas a paixão improvável dos personagens principais, mas, especialmente, as relações de trabalho dentro de um órgão de imprensa argentino - fictício, que fique bem claro.

Mas realístico. É na Argentina, mas podia ser no Brasil ou em qualquer outro lugar. Muito instrutivo para quem quer saber com quantos paus se faz uma notícia ou uma crítica de arte em jornais e revistas.

E é por isso que a leitura do post do Idelber me remeteu ao filme...



P.S. Não achei um trailler do filme, mas tem muitos trechos dele no youtube, para quem tiver curiosidade.

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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Reavaliando o legado da ditadura

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Acompanhei de longe a polêmica sobre o papel ridículo da Folha de São Paulo no episódio da "ditabranda".

Há importantes setores da classe média brasileira que são saudosos do tempo dos milicos. Não é difícil identificar nesta turma os leitores da Veja. O episódio da Folha indica que ela tem percepção de que são também uma parte importante do seu público (a Folha já não é como nos anos 1980 e 1990, quando se consolidou como um jornal em favor da democratização). Aliás, acompanhar, como eu faço, esporadicamente estes dois veículos é constatar a perda de massa encefálica deste estrato social no Brasil.

Nos últimos dias duas matérias interessantes reavaliando o legado da "ditadura". (Coloco o termo entre aspas devido à impropriedade sociológica do termo para um regime que teve eleições e troca de governantes, economia de mercado e funcionamento normal do judiciário - na verdade continuamos quase tão arbitrários como naquela época, e os figurões da política são quase os mesmos até hoje.)

Recomendo as duas:

Os anos de proibir são de ontem. Matéria de Flávio Tavares para o Zero Hora, repercutida pelo Luis Nassif. Demonstra a origem da corrupção endêmica nas práticas políticas do regime militar. E comenta os tímidos esforços para superar a impunidade nos extratos superiores da política e das finanças.

"Milagre" pós-64 concentrou renda em período de expansão econômica
. Matéria da Agência Brasil feita com acadêmicos e estatísticos que analisam estudos mostrando que o fantástico crescimento do período militar foi apropriado por setores da elite e da classe média. Aos pobres sobrou apenas porrada.

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No tempo da "ficção científica" - o serviço doméstico

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Um dia desses li no Ágora com dazibao no meio um post chamado Para além do meu campo semântico. Tudo que o Ricardo fez foi postar uma charge do Quino que mostra um mendigo ganhando uma polpuda esmola para comer num restaurante de luxo, mas preferindo gastar a quantia em hambúrgueres. O mais interessante é a proverbial caixa de comentários que este post suscitou.

A questão de fundo é a incapacidade humana de compreender conceitos com os quais não está acostumado a lidar. Que valor tem a alta gastronomia para quem não tem papilas capazes de perceber suas nuances? (Na verdade não tem nada a ver com as papilas, mas com o processamento da informação gustativa no cérebro.)


Tá.

E o que isso tem a ver com "ficção científica"?


Acontece que achei outro dia, no Favoritos, uma dica do site Paleo-future, dedicado a mostrar as antigas visões de como seria o futuro. Entre as muitas coisas interessantes que se pode encontrar lá, me chamou a atenção uma cozinha do futuro, cheia de apetrechos para facilitar o trabalho de uma "dona de casa".



Em 1943 os gringos eram capazes de imaginar apetrechos de cozinha para facilitar o serviço doméstico. Provavelmente para que as mulheres pudessem desempenhar melhor a dupla jornada que a guerra lhes impôs: enquanto os maridos foram lutar na Europa, elas assumiram os postos nas fábricas, lojas e escritórios, e continuaram desempenhando os serviços domésticos.

Mas acho que ninguém imaginava ainda uma cozinha sem "dona de casa".

Seria uma coisa muito além do campo semântico...

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quinta-feira, 19 de março de 2009

Cartazes cubanos - um olhar sobre o cinema mundial

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Esses cubanos tiveram a petulância de mostrar que riqueza cultural não tem nada a ver com riqueza econômica.

Filmes soviéticos, iugoslavos, tchecos, poloneses, brasileiros, argentinos, mexicanos, norte-americanos, franceses e até cubanos.

Tudo que seria exibido nos cinemas precisava ser divulgado. Como? Não com os artifícios publicitários normalmente usados nos cartazes de filmes (foto de atores, uma frase de efeito para chamar a atenção). A crua informação do nome do filme, do diretor e do país onde foi produzido.

O mais?

Fica a cargo da imaginação artística do cartazista.

Artistas que fizeram, principalmente em fins dos anos 60 início dos 70, da divulgação dos filmes uma arte. Uma linguagem visual concisa e muito imaginativa. Usando pouquíssimos recursos. A pobreza de recursos gráficos não redundava em pobreza visual ou imaginativa. Pelo contrário. Mostra que é da dificuldade que muitas vezes surge a melhor criatividade.


Ja fui ver a exposição. Considero uma grande pedida para quem puder passar pelas redondezas da praça Santos Andrade em Curitiba. Entrada franca. O Espaço Cultural da Caixa fica na Rua Conselheiro Laurindo, entre a praça e a Rua Marechal Deodoro.

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quarta-feira, 18 de março de 2009

Um ranking do futebol brasileiro (II) - Campeonato Brasileiro 71-79

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Continuo aqui o comecei em outro post:

Um ranking do futebol brasileiro (I) - Taça Brasil 59-68


O Campeonato Brasileiro começou em 1971, pela primeira vez com a possibilidade de disputa de clubes de todos os estados. Nunca teve a mesma fórmula, exceto a partir de 2004.

Como a fórmula nunca foi a mesma, fica difícil ter um critério, digamos assim, científico para fazer o ranking.

Optei por pontuar assim.

Campeão - 5 pontos
demais semifinalistas - 2 pontos
demais classificados até a 12ª posição - 1 ponto

Em 1971 a final foi um triangular, por isso dei 2 pontos para apenas dois clubes. Depois a coisa ficou mais normal. Final, semifinal. 2ª fase, 3ª fase, 4ª fase. Conforme o número de clubes disputando.

Usei os dados disponíveis na wikipedia.

Ficou assim:



1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979
1° Internacional 1 2 2 2 5 5
2 5 24
2° Palmeiras 1 5 5 1 1 1 1 2 2 19
3° Atlético MG 5 1 1 1
2 2
1 13

Vasco 1 1
5
1 1 2 2 13
5° São Paulo 2 1 2 1 1
5

12
6° Cruzeiro 1 1 2 2 2

1 1 10
7° Corinthians 1 2 1
1 2 1 1
9
8° Guarani


1 1 1
5
8
9° Botafogo 2 2 1


1 1
7
10° Flamengo
1
1 1 1 1
1 6

Grêmio 1 1 1 1
1
1
6

Coritiba 1 1 1

1

2 6
13° Santos 1 1 1 2




5

Santa Cruz



2 1 1 1
5
15° Fluminense



2 2


4
16° Vitória

1 1



1 3

Operário MS





2
1 3

Bahia




1 1 1
3
19° Londrina





2

2

Sport



1

1
2

Atlético PR


1



1 2

América RJ 1


1



2

Portuguesa



1

1
2
24° Uberlândia







1 1

Goiás







1 1

Ponte Preta





1

1

América MG

1





1

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quarta-feira, 4 de março de 2009

Um ranking do futebol brasileiro (I) - Taça Brasil 59-68

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Eu cá deste blog estou a organizar, por iniciativa própria extra-oficial e totalmente desautorizada, um ranking histórico do futebol brasileiro.

Começo com este primeiro post onde faço um ranking da Taça Brasil, com base nos dados disponíveis na wikipedia.

Começo o ranking por este torneio, por que não posso considerar brasileiro um torneio Rio-São Paulo, entre muitos motivos porque o Brasil não é só Rio-São Paulo. Nem o Roberto Gomes Pedrosa porque este, além de curta duração, restringia a participação a um Rio-São Paulo mais Minas-Rio Grande do Sul. Como não sou de nenhum destes estados, não posso concordar com esta palhaçada.

A Taça Brasil era disputada em forma de mata-mata, com os clubes do Rio-São Paulo levando a vantagem de entrarem já na semi-final. Desonesto, mas pelo menos existia uma remota possibilidade de um time de outro estado furar a panelinha.

Assim, estabeleço como critério de pontuação para o ranking:
campeão: 5 pontos
vice: 2 pontos
3º e 4º lugares: 1 ponto

Se você discordar ou não gostar da pontuação comente aí embaixo. Vou usar estes pontos aqui para fazer um ranking mais amplo depois, incluindo o Campeonato Brasileiro a partir de 1971.


campeão vice 3º 4º
1959 Bahia Santos Grêmio Vasco
1960 Palmeiras Fortaleza Santa Cruz Fluminense
1961 Santos Bahia América – RJ Náutico
1962 Santos Botafogo Sport Internacional
1963 Santos Bahia Grêmio Botafogo
1964 Santos Flamengo Ceará Palmeiras
1965 Santos Vasco Náutico Palmeiras
1966 Cruzeiro Santos Náutico Fluminense
1967 Palmeiras Náutico Grêmio Cruzeiro
1968 Botafogo Fortaleza Cruzeiro Náutico


Ranking
clube pontos
1º
Santos 29
2º
Palmeiras 12
3º
Bahia 9
4º
Botafogo 8
5º
Cruzeiro 7
6º
Náutico 6
7º
Fortaleza 4
8º
Grêmio 3
9º
Vasco 3
10º
Fluminense 2
11º
Flamengo 2
12º
Ceará 1
13º
Internacional 1
14º
Santa Cruz 1
15º
América – RJ 1
16º
Sport 1


Só por curiosidade, se quiser fazer um ranking por estados, da pra perceber o seguinte:

SP - 41 pontos
RJ - 16
BA - 9
PE - 8
MG - 7
CE - 5
RS - 4

Em posts futuros, vou incluir outros torneios e chegar ao ranking defitivo, que eliminará todas as possíveis dúvidas sobre quem é quem na história do futebol brasileiro.

Quem viver verá...

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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O circuito italiano de Colombo

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Saímos para um passeio de família no último sábado.

Eu pretendia descobrir alguma coisa sobre o turismo rural em Colombo, próximo a Curitiba, mas não encontrava nenhuma informação na internet.

Na página de secretaria estadual de turismo aparece um link para uma página do
Circuito Italiano - o trajeto do turismo rural colombense, mas a página está inativa. Procurei ainda pela pousada Quintas de Bocaiúva, da qual fiquei sabendo pelo Guia 4 rodas de 2003. Mas não achava página na internet, e o telefone informado não funcionava.

Depois descobri que a pousada e seu restaurante fecharam há cerca de dois anos.

Decidimos arriscar um passeio de carro pela Rodovia da Uva para tentarmos descobrir alguma coisa. Paramos em uma ótima vinícola, a Franco Italiana, onde compramos um vinho doce pras mulheres e um Merlot produzido a partir de uvas plantadas em Bento Gonçalves (RS). O espumante também era muito bom. Se não me engano, a localização fica aqui (há uma pequena placa dizendo "vinícola" na entrada - uma rua de terra):


Exibir mapa ampliado

Ali conseguimos um folder do circuito italiano, que inclui um mapa tipo croqui. E pegamos a diga de alguns lugares para almoçar.

Fomos olhar o restaurante Bosque Italiano, um pouco mais à frente, e resolvemos ficar por ali. Não nos arrependemos, a não ser pelo fato de ser um dia chuvoso. Por isso, as crianças não puderam aproveitar tão bem o espaço formidável da chácara onde fica o restaurante. A comida foi surpreendentemente boa. O chefe Mello (proprietário do restaurante) transformou a tal "comida rural" numa bela experiência gastronômica. Saladas variadas (alface com manga e morango, ervilhas frescas com bacon, tomate com cebola e orégano, entre outras), a melhor polenta que já comi, espaguete alho-e-óleo. E um frango assado que usei como desculpa para comer com o imperdível molho de pimenta (com calda de laranja, alho, loro e anis estrelado).



O restaurante fica aqui:


Exibir mapa ampliado

Depois seguimos um pouco adiante, e visitamos o centro administrativo de Colombo, com um bom comércio, e uma belíssima igreja. Visitamos ainda uma chácara que vende morango orgânico. Passamos em um café colonial só para ver como era - depois daquele almoço não dava mais para comer tanto.

E voltamos para casa decididos a fazer o passeio de novo, para irmos nos lugares que não conseguimos conhecer desta vez...

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Na senzala uma flor

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Já publiquei isso antes aqui no blog, mas como tinha sido em três partes sem os devidos links de ligação, acho que alguns leitores saíram prejudicados. Agora conserto a besteira.


SLENES, Robert. Na senzala uma flor. Esperanças e recordações na formação da família escrava – Brasil. Sudeste, século XIX. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.


Eu li este livro como parte da minha preparação para o exame de seleção do mestrado em História da UFPR, em 2001. Àquela época o livro estava esgotado, ignoro se teve nova edição.

Trata-se de um livro já clássico, que originou uma série de debates na historiografia sobre a escravidão. O historiador Jacob Gorender, militante do partido comunista, foi o que mais se opôs à tese de Slenes, considerando que ela contribuía para “suavizar” a escravidão. Historiadores que pesquisam a escravidão se juntaram a Slenes e fizeram severas críticas a Gorender, pelo fato de ele nunca ter pesquisado diretamente com fontes em arquivos.

À parte as polêmicas que todas as novas interpretações costumam causar em relação a interpretações estabelecidas, trabalhos como o de Slenes têm servido para trazer uma nova concepção da cultura brasileira, especialmente no que toca à influência das classes populares, ainda considervelmente subdimensionada.

Faço aqui no blog uma resenha em três partes, seguindo o roteiro de estudo que fiz quando li o livro para a prova do mestrado:



A família escrava


Um viajante francês do século XIX afirma não ter visto nenhuma flor nas senzalas brasileiras, julgando por isso não haver esperanças nem recordações, e até mesmo negava a exsitência da família no meio dos escravos.

O título da obra de Slenes é a negação da afirmativa deste viajante. Através de sua pesquisa o autor comprova a existência da família escrava, formada por marido e mulher, com filhos morando com o casal, que possui sua própria casa e até uma atividade econômica independente (caça e pesca, criação de animais, cultivo de roça, trabalho assalariado nos dias de folga, artesanato), que lhe permite economizar para melhorar o padrão de vida e até comprar sua liberdade em alguns casos.

Slenes também compara as habitações dos escravos com as da África Central (origem da maioria deles, demonstrando as permanências culturais africanas na arquitetura das habitações e no hábito de ter sempre dentro delas um fogo aceso. Para o autor, é este fogo aceso a flor que o viajante europeu não foi capaz de enxergar nas senzalas.

Com este estudo, Slenes demonstrou que a escravidão no Brasil não pode ser vista apenas como um imposição dos senhores, mas construiu-se um sistema de relações negociado. Os escravos conquistaram um espaço familiar que, apesar de precário e instável, não foi irrelevante. Em meio aos sofrimentos da escravidão, os negros conseguiram formar famílias, nas quais cultivaram suas esperanças (refletidas na sua dedicação à economia doméstica) e recordações (a manutenção e adaptação de importantes traços culturais comuns às sociedades bantus da região do Congo e Angola).



Arquivos e fontes sobre a escravidão


Slenes trabalhou na sua pesquisa com fontes primárias e secundárias. As primárias foram as que ele usou para traçar os padrões demográficos dos escravos do Sudeste do Brasil no século XIX. São registros de casamento e batismo de escravos, inventários pós-morte de fazendeiros (que incluíam a relação de escravos – arrolados entre os “bens” do senhor), processos-crime, anúncios de fuga de escravos nos jornais. Com estas fontes, pesquisadas em Campinas, Sorocaba e Vassouras (RJ), ele deduz percentagens de africanos entre os escravos (haviam os trazidos da África e os nascidos aqui), de homens, de casados, taxas de mortalidade, expectativa de vida, etc.

Comparando os dados obtidos com os resultados de outros pesquisadores para outros municípios do sudeste no mesmo período, o autor faz generalizações possíveis para obter um padrão regional. Com isto ele comprovou a existência de uma família escrava, composta de pai, mãe e filhos.

Outro tipo de fonte primária são os relatos de viajantes europeus, recordações de fazendeiros e imagens literárias da época (romances). Dessas fontes o autor tira a visão branca sobre a escravidão. Comparando com os resultados dos estudos demográficos, Slenes demonstra o quanto esta visão branca é etnocêntrica, distorcida e pouco confiável (como aliás qualquer fonte histórica – que deve ser tratada com o devido treino e muitos cuidados). Uma análise mais profunda pode ler nas entrelinhas informações importantes sobre a cultura negra: padrão de construção das senzalas, alimentação, economia doméstica.

Comparando estas observações de viajantes com estudos etnológicos de sociedades centro-africanas (fontes secundárias), Slenes traçou um panorama da cultura escrava, demonstrando as permanências culturais na família cativa e suas estratégias de resistência.



A história dos vencidos


A partir da década de 1970 houve uma explosão de estudos de historiadores dedicados à vida e à cultura das classes subalternas, dos trabalhadores pobres: operários no caso europeu e escravos no caso do continente americano. Estes trabalhadores foram sempre a classe inferiorizada na estrutura social, e não conseguiram sequer perpetuar sua memória pela produção de documentos escritos. Por causa disso, eles foram quase sempre classes “invisíveis” para o historiador.

O que mudou este estado de “cegueira” em relação às classes trabalhadoras, e causou a explosão de estudos sobre história operária e história da escravidão, foi o trabalho seminal do historiador inglês E. P. Thompson. Em meados da década de 1960 ele publicou sua Formação da classe operária inglesa, em 3 volumes. Escreverei sobre esta obra em outro post, mas devo dizer aqui que foi Thompson começou uma nova metodologia, qual seja ler a história dos vencidos nos documentos produzidos pelos vencedores.

Foi isso que fez Slenes, seguindo a tradição metodológica inaugurada por Thompson no estudo dos operários ingleses do início do século XIX.. Ler processos criminais onde os escravos depõem como réus, inventários de fazendeiros onde eles aparecem como mercadorias, documentos de batismo e casamento onde eles aparecem por acaso, e relatos de viajantes onde os escravos despertam sentimentos mistos de compaixão e desprezo, lançados de um olhar que se julga culturalmente superior. Ler nestes documentos a visão do escravo, que não está ali, precisa ser descoberta nas entrelinhas. Tudo isso para compensar a completa ausência de documentos ou memórias produzidos pelos próprios escravos.

O estudo de Slenes, bem como os trabalhos de outros historiadores que seguiram esta mesma tradição historiográfica, levou a uma mudança de paradigma. Os trabalhadores pobres (ou os escravos) deixaram de ser vistos como seres passivos, e passaram a ser vistos como agentes históricos importantes, com uma cultura própria, que se chocaram e interagiram com outros agentes e com a cultura dominante.

Além desta corrente thompsoniana de estudo das classes trabalhadoras, o estudo de Slenes também segue uma outra tradição historiográfica originada na Nova História praticada pelos franceses: a demografia histórica. Trata-se da reconstituição de padrões populacionais, organização das famílias, estratégias reprodutivas, espectativa de vida. Esta é uma abordagem quantitativa, obtida através da chamada história serial – aquela que se faz pela coleta de dados de mesmo padrão, num mesmo arquivo, de uma mesma localidade, para diferentes datas. Este tipo de estudo permite traçar a evolução da população local por um determinado período de tempo. (Não é à toa que esta abordagem surgiu na França – lá existem séries de documentos eclesiásticos sobre nascimentos, batismos e sepultamentos com séries confiáveis que remontam ao século XII!)

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sábado, 3 de janeiro de 2009

Consumismo

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Está muito boa a edição de dezembro do Le monde diplomatique Brasil, com uma série sobre consumismo.


"E de pouco adiantarão leis que coíbam a publicidade dirigida ao público infantil, se os próprios adultos, entregues ao consumismo e à cultura da vaidade, forem às compras, motivados e seduzidos pela imagem que seus filhos, destinatários dos presentes natalinos, terão diante de outras crianças." (Yves de La Taille, "Consumismo infantil", p. 4)

O autor desta frase é professor de psicologia da USP, e seu texto partiu do fato de que hoje se discutem formas de regular em lei a publicidade voltada ao público infantil. As crianças são psicologicamente vulneráveis ao apelo da publicidade e à figura dos heróis ou personagens prediletos. Mas, no fundo, o que leva aos absurdos do consumismo infantil é mesmo a falta de maturidade dos adultos para lidar com o tema. Estamos dispostos a enfrentar essa questão?


"Aquele cara embaixo da ponte não sou eu. Aquele pedindo esmola também não. Aquela senhora desempregada muito menos. Eu não. Eu tenho a oportunidade, se puder comprar um caminhão passo por cima da Pick-up, se puder comprar uma Pick-up passo por cima do Palio, se puder comprar o Palio passo por cima da moto, se puder... Mas ainda não posso." (Ferréz, "Sobre pássaros e lobos", p. 5)

Este segundo texto foi escrito por um autor que conhece bem a periferia onde vive e de onde escreve. Mostra como a lógica do consumo mantém girando uma engrenagem que, ao fim de tudo, termina moendo os próprios consumidores, especialmente os pobres. Depois de constatações deprimentes sobre como as pessoas viciam no consumo e compram esta ideologia que os massacra, Ferréz conta uma linda parábola - um ninho de passarinho encontrado no fundo do quintal o faz pensar: "isso eu não comprei, isso eu não paguei, nem parcelei, muito menos achei num shopping, nem tive que roubar, isso veio de graça, e acho que isso que é a vida."


"A febre de comprar nos faz pensar, como sugeriu Lipovetsky, que "ela seja uma compensação, uma maneira de consolar-se das desventuras da existência, de preencher a vacuidade do presente e do futuro". O frenesi das compras então funciona para nossa longa solidão egóica como "simulacro de aventura", o fantasma da obra, pequena loucura cotidiana, a prótese do prazer." (Gustavo Barcellos, "A alma do consumo", p. 6-7)

O autor deste texto é psicólogo e escreveu um livro sobre Jung. Explica os mecanismos psicológicos arrasadores que esta lógica do consumo está operando. Mostra claramente que o consumismo é uma patologia severa. Que se desdobra em sintomas tão comuns como: "depressão, paranóia, compulsão, baixa auto-estima, competitividade extremada, pânico, suicídio, solidão, medo, estresse, sintomas psicossomáticos, hiperatividade, hipercosumismo. Vulnerabilidade psicológica, desetabilização emocional."

Tudo passou a ser consumo. O prazer, o lazer, as relações humanas. As necessidades básicas. Aliás, quem consegue saber hoje o que é necessidade e o que é supérfluo? Vivemos no mundo do supérfluo onde, no limite, somos nós mesmos supérfluos.


Alguém aí está disposto a tentar parar esta engrenagem?


Tudo isso me faz lembrar do que o Tuco escreveu sobre o vento.

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Por um novo Estado na Palestina

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Em 1948, foi criado na Palestina o Estado de Israel. Foi uma reação do movimento sionista às brutais perseguições sofridas por judeus na Europa cristã. As perseguições perduraram por todo o período da cristandade, e seguiram com toda a força após as Reformas religiosas do século XVI.

Uma nova situação gerou a possibilidade de um estado judeu, a acolher exilados europeus em massa na terra dos seus ancestrais. Colocava fim a uma tradição que vem desde o século V a.C., com um pequeno interlúdio hasmoneu no século III a.C. - os judeus foram os únicos a conseguir manter coesa uma pátria sem território e sem Estado, isso por cerca de 2300 anos, desde o exílio à Babilônia de Nabucodonosor até a criação do Estado moderno de Israel em 1948.

O novo Estado foi apoiado pelo Ocidente, talvez para aplacar a consciência depois do holocausto nazista. Foi possível por que as potências ocidentais já tinham colocado fim ao domínio do império Otomano na região, desde a chamada "1ª guerra mundial". O Estado judeu seguiu-se à partilha franco-britânica da Palestina, e foi uma forma de garantir os interesses ocidentais numa região rica em petróleo. Afinal, os migrantes que construíram o novo Estado eram, em última instância, europeus - os Askenazim de pele clara não desalojaram apenas os palestinos, mas desalojaram também (politicamente) os Sefardim de pele morena que viveram em equilíbrio na região por milênios.

A história deste jovem Estado foi sempre de guerras com vizinhos. Diversas nações classificadas como "árabes" e confundidas com o islã - mesmo apesar de toda a vizinhança ser multi-cultural, multi-étnica e multi-religiosa, incluindo significativa presença de cristãos do antigo ramo monofisista (grupos de cristãos orientais que não se submeteram ao controle político de Roma ou de Constantinopla, traduzido no dogma da natureza divino-humana de Cristo).

Foi comum ouvir falar no objetivo político do "fim do Estado judeu", propagandeado no Ocidente de forma mentirosa como uma apologia à eliminação física de Israel. O fim do Estado judeu é a proposta de uma partilha da região num estado onde os Palestinos tenham representação política paritária. É a única proposta politicamente decente, mas fere interesses financeiros muito poderosos, não apenas na região, mas em todo capitalismo mundial.

O Ocidente segue mantendo o Oriente Médio como um grande "aterro sanitário" humano, a garantir o conforto do "bem-estar social" do Atlântico Norte.

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A única solução aceitável é um único Estado, para israelenses-palestinenses, no qual os crimes do sionismo possam afinal ser reparados. Não há outra possibilidade. Só essa."
(Tareq ali no Guardian, via Carta Maior)

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